O setor elétrico brasileiro chama a atenção do mundo graças à aptidão do país para as energias renováveis. Não à toa, a estatal chinesa SPIC aposta no Braisl e cresceu 70 vezes no território nacional nos últimos oito anos, segundo a presidente da companhia no país, Adriana Waltrick. Ela aponta, contudo, que problemas de governança são o principal entrave para a captação de novos investimentos. “Esse (a governança) é o calcanhar de aquiles do setor elétrico nacional”, disse durante o VEJA Fórum de Energia, nesta segunda-feira, 27, em São Paulo. “O mundo está nos assistindo. Eu disputou investimentos com outros 46 países (onde a SPIC também tem presença)”, acrescentou.
Para tornar a governança elétrica brasileira mais eficiente, a executiva da SPIC Brasil pede por uma integração maior entre o Ministéiro de Minas e Energia (MME), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Operador Nacional do Sistema (ONS) elétrico. Os chineses notam que a morosidade de reguladores brasileiros atrasam a realização de ganhos pelas empresas que investem no setor elétrico, o que pesa negativamente na avaliação sobre o país.
“O Brasil está em uma ‘tempestade perfeita’”, diz Waltrick. A especialista aponta os juros elevados como um fator conjuntural que, somado a outros desafios, tornam o país menos atrativo para investimentos. Em paralelo, a demanda por energia elétrica promete crescer expressivamente nos próximos anos. “A venda de carros elétricos cresceu 110% em março deste ano em relação ao mesmo mês do ano passado”, lembra a executiva, que também chama atenção para a vinda de data centers para processamento de Inteligência Artificial (IA).
Para o Brasil conseguir atingir seu potencial como líder em geração de energia limpa, o país precisa fazer algumas lições de casa, segundo a representante da estatal chinesa. Ela destaca três necessidades para “caminhar rumo ao futuro”: melhora da governança setorial e expansão das linhas de transmissão de energia, para dar conta da demanda, além do fomento a “soluções completas” — ou seja, pensar o setor como um conjunto de infraestruturas que se complementam.
A SPIC é um grupo estatal chinês que investe privadamente em mais de 40 países. A companhia tem cerca de 275 gigawatts (GW) em capacidade instalada de geração no mundo — mais do que a geração total brasileira. “Estamos presentes no mundo inteiro e optamos pelo brasil como uma avenida de crescimento”, diz Waltrick.
Fonte: Link da fonte










