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Têxtil chinesa dispara na bolsa após tensão com Japão – 18/11/2025 – Mercado

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Uma empresa têxtil atolada em dívidas teve alta expressiva na bolsa de Shenzhen nesta semana, chegando a valer ¥12 bilhões (R$ 9,04 bilhões) em poucos dias. O motivo da valorização é surpreendente.

O grupo Fúrì (孚日股份) vinha de vários meses com resultados no vermelho, faturamento caindo e quase nenhum lucro. Até que a mais nova polêmica diplomática com o Japão começou a tomar as redes sociais e as manchetes da mídia chinesa.

Em resposta aos questionamentos do Parlamento, a nova premiê japonesa Sanae Takaichi afirmou que seu país poderia intervir militarmente caso a China resolvesse tomar Taiwan à força.

Xue Jian, cônsul chinês em Osaka, então resolveu escrever nas redes sociais que “quem levanta a cabeça para se meter no que não lhe interessa deve ter o pescoço cortado”.

Tóquio acusou Pequim de ameaçar a vida da premiê. Enquanto isso, embora tenha dito que o diplomata agiu sem instruções da chancelaria, a China exortou Takaichi a não tocar na questão taiwanesa se quisesse manter boas relações.

Desde então, ambos os países têm trocado farpas públicas, com o discurso virulento relatado na mídia.

Mas o que o grupo Fúrì tem a ver com tudo isso?

Um trocadilho! O nome da empresa soa idêntico ao termo 俘日, um diminutivo para “capturar o Japão”. Isso levou milhares de chineses a investir na empresa, que teve valorização de 106,4% em menos de uma semana.

O tema fez tanto barulho que a própria empresa resolveu vir a público se pronunciar. Em comunicado postado no WeChat, a Fúrì disse que suas ações estão sofrendo “oscilação atípica de preço” e que a empresa, atualmente, não tem planos de “capturar o exército do Japão”.

Eles alertaram que a prática pode ser caracterizada como “especulação maliciosa de capital” e que “investidores de varejo correm o risco de queda (no preço das ações) no curto prazo”.

Por que importa: o caso pode parecer anedótico, mas serve para lembrar como uma rusga diplomática aparentemente pequena pode ganhar contornos nacionalistas de forma rápida. O Japão nunca pediu desculpas formais à China pelos crimes de guerra perpetrados no país. Por muitos anos, os japoneses ocuparam Taiwan militarmente.

Os fatos permanecem bastante vivos no imaginário coletivo chinês e sempre reaparecem como entrave na aproximação entre as duas maiores economias do Leste Asiático.


Pare para ver

Pintura do século 6 atribuída a Yan Liben retrata um enviado japonês à China durante a dinastia Tang (o enviado japonês está à esquerda, seguido por enviados dos reinos coreanos de Silla e Baekje).


O que também importa

A Tesla vai começar a exigir que fornecedores excluam peças fabricadas na China dos carros produzidos nos EUA. A informação é do jornal The Wall Street Journal. A empresa já substituiu parte dos componentes e pretende concluir a mudança em até dois anos. A decisão ocorre em meio à instabilidade nas relações entre Washington e Pequim, com imposição de tarifas que pressionam custos e cadeias de suprimento. As vendas de veículos fabricados na China da montadora de Elon Musk caíram 9,9% em outubro.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que o acordo sobre terras raras com a China deve ser concluído até o Dia de Ação de Graças, em 27 de novembro. O acerto segue o entendimento preliminar do mês passado, que prevê que Washington não aplicará tarifas de 100% a importações chinesas, enquanto Pequim suspende exigências de licença para exportar minerais e ímãs estratégicos.

A China comprou cerca de 1 milhão de toneladas de soja dos EUA. Foi a maior compra desde janeiro. A estatal Cofco adquiriu 840 mil toneladas para embarque entre dezembro e janeiro, pagando valores bem acima dos preços do Brasil. Washington espera a venda de 12 milhões de toneladas até o fim do ano. O acordo comercial amplo, porém, ainda não foi finalizado.


Fique de olho

O presidente colombiano Gustavo Petro pediu uma reunião de segurança de alto nível com os Estados Unidos, a China e parceiros regionais para discutir a escalada de tensões na região do Caribe.

O apelo surge após o aumento da mobilização militar americana no Caribe e no Pacífico Oriental, com a presença do maior porta-aviões dos EUA em uma operação antidrogas próxima à Venezuela e ataques a barcos suspeitos de tráfico.

Petro reiterou sua proposta de realizar o encontro em Pearl Harbor, uma ideia que ele disse ter compartilhado com o ex-comandante do Indo-Pacífico dos EUA, almirante John Aquilino.

O líder colombiano sugere que a mesa de diálogo inclua México, Colômbia, Equador, Chile, China e Austrália.

O movimento soma-se à inquietação regional manifestada pelo presidente chileno Gabriel Boric, por Lula e pela Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Comunicado da entidade, em setembro, relatou “profunda preocupação” com a atividade expandida dos EUA e o risco de intervenção na Venezuela.

Por que importa: a iniciativa de Petro é um sinal claro da crescente oposição regional ao aumento da presença militar dos EUA e da percepção de que essa postura desestabiliza a região.

Ao incluir a China nas negociações propostas, a Colômbia está elevando a questão a um patamar geopolítico global, buscando equilibrar o poder americano e sinalizando que a disputa por influência na América Latina não é mais um assunto exclusivo de Washington, mas sim uma preocupação internacional que exige um diálogo com todas as grandes potências.


Para ir a fundo

  • O World Sinology Center está com inscrições abertas para um acampamento cultural na China que acontece de 12 a 19/jan/2026. Podem participar sinólogos, tradutores e professores de chinês da América Latina e os selecionados terão passagens aéreas cobertas. Inscrições até 5 de dezembro através do email luismattediaz@outlook.com.

  • O Observa China publicou um guia sobre a participação chinesa na COP30. O material aborda as negociações climáticas e o papel do país em tecnologias cruciais para enfrentar o problema. Interessados podem ler o guia neste link. (gratuito)

Fonte: Link da fonte

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