Como muitos sabem, a Monks Films está produzindo o filme da Copa do Mundo da Fifa de 2026 para a Disney. O projeto conta com Fernando Sulichin —produtor que já colaborou com Oliver Stone, Sean Penn e Melania Trump— ao lado de Pablo Bossi, da Los Muchachos. A partir disso, podemos traçar uma analogia interessante.
O torneio de 2026 caminha para se tornar um dos eventos esportivos mais importantes da história.
Sediada nos Estados Unidos, Canadá e México, é a primeira competição verdadeiramente trinacional, com expectativa de audiência e interesse comercial recordes. Um palco global de proporções inéditas.
Nesse cenário estão dois ícones atemporais do futebol: Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. Ambos atletas extraordinários. Líderes excepcionais. Artilheiros vorazes. Dois dos maiores jogadores de todos os tempos. Mas com perfis profundamente diferentes.
Messi joga pelo coletivo; o craque português, pelo protagonismo. A afirmação pode soar injusta, pois ele ajudou Portugal a passar pela fase de grupos, além de possuir disciplina, longevidade e ambição inquestionáveis. Mas a distinção de estilos importa, servindo como um paralelo útil para a nossa indústria.
A inteligência artificial democratiza a informação. O conhecimento deixou de ser privilégio de poucos, pois o acesso se universalizou e os dados se tornaram abundantes. A vantagem não está mais na posse exclusiva desse material, mas na capacidade de aplicá-lo, compartilhá-lo e agir mais rápido que os concorrentes. Já vemos as consequências.
Jensen Huang, da Nvidia, gerencia mais de 50 subordinados diretos e evita reuniões individuais. Mark Zuckerberg segue o mesmo caminho. A IA achata as organizações, acelera a tomada de decisões e reduz a necessidade de níveis hierárquicos cuja função principal era apenas controlar fluxos internos. Por muito tempo, agências e clientes foram limitados pela mentalidade de silos.
Ainda que todo bom profissional tenha o seu valor, os perfis de atuação variam de forma marcante. Há um primeiro grupo que se destaca por compartilhar ideias, conectar pessoas e gerar novas oportunidades enquanto constrói equipes fortes. Esse perfil eleva a organização para além da mera soma de suas partes, pois compreende que o sucesso coletivo sempre supera o triunfo individual.
A segunda categoria também possui talento, muitas vezes extraordinário. O foco, contudo, é estritamente no indivíduo. Essa figura retém o que sabe, constrói impérios, protege territórios e cria silos. Vê o conhecimento como poder e a colaboração como ameaça.
Ironicamente, quanto mais você desce na estrutura de grande parte das empresas, maior é a disposição para colaborar, compartilhar e fazer o que for preciso para vencer. É justamente nos níveis mais altos da hierarquia que o saber vira moeda de troca e as políticas corporativas ganham força.
Na minha visão —e você não precisa concordar comigo—, Messi representa o primeiro modelo. Ronaldo, o segundo. Para ser claro: os dois são geniais, bem-sucedidos e dignos de admiração.
Contudo, num mundo impulsionado pela IA, os grandes vencedores provavelmente serão os “Messis”. Isso não acontece por saberem mais ou trabalharem mais duro, mas por criarem ambientes que capacitam as equipes a contribuir, colaborar e prosperar. Na era da inteligência artificial, os líderes que compartilham o conhecimento superam aqueles que tentam controlá-lo.
Copa 2026
A newsletter da Folha com o que você precisa saber sobre o Mundial
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Fonte: Link da fonte












