A rede de lojas Allmini chegou a um acordo com a Pop Mart, dona do Labubu, no qual se compromete a não vender mais versões falsas do boneco que virou febre global no ano passado. O grupo chinês, que tem capital aberto na Bolsa de Hong Kong e valor de mercado de mais de US$ 25 bilhões (R$ 129 bilhões), será indenizado pela rede de lojas no Brasil.
A Folha revelou que, em março, a multinacional entrou na Justiça para tentar retirar do mercado local os produtos piratas com referências às suas marcas.
A Allmini foi o primeiro alvo da Pop Mart. Após ser autuada, a rede de lojas reconheceu ter comercializado produtos piratas da marca chinesa e aceitou pagar uma multa.
Dalton Felix de Mattos, advogado da empresa brasileira, confirmou a informação e afirmou que o valor da indenização está entre as cláusulas de confidencialidade do acerto e não pode ser divulgado. Já o representante da multinacional chinesa, o advogado Diogo Squeff Fries, celebrou o fato de a autuada concordar com a retirada dos produtos falsos de seus estabelecimentos.
Em fevereiro, seis lojas da Allmini foram alvo de operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro, que apreendeu 665 itens falsificados.
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A ação para retirar versões piratas do Labubu do mercado faz parte dos planos da Pop Mart ao chegar ao país. A empresa abriu uma subsidiária no Brasil na virada de 2025 para este ano e tem planos para lançar seu site de vendas nos próximos meses e lojas físicas no segundo semestre.
Em 2025, o Google apontou que o Labubu foi o produto mais desejado por usuários que fizeram buscas na plataforma no país. Versões originais do boneco podem ser adquiridas atualmente somente em sites que fazem importação direta e em poucas lojas físicas, caso da Ri Happy.
Com a chegada ao mercado local, a Pop Mart vai centralizar e ampliar essa distribuição. A presença da empresa no país faz parte de um plano de expansão global. Após virar febre com megalojas na Ásia, na Europa e nos Estados Unidos, o grupo desembarcou na América Latina, onde já opera no México, na Colômbia e na Bolívia.
Carro-chefe da marca, o Labubu foi criado há mais de uma década pelo artista de Hong Kong Kasing Lung. O boneco é um elfo da floresta inspirado na mitologia nórdica e parte da série de livros de Lung “Os Monstros”, com personagens fantásticos.
O personagem catapultou o faturamento da Pop Mart, fundada em 2010 por Wang Ning, aos 20 anos, em Henan, no centro da China. Em 2020, a empresa abriu capital na Bolsa de Hong Kong, o que fez o seu dono figurar entre os 12 mais ricos do país no ano passado, segundo o índice de bilionários da Bloomberg.
O modelo de “caixa de surpresa” é apontado como um dos fatores de sucesso da marca. Quem compra o brinquedo na embalagem não sabe qual modelo do boneco está levando. Nos EUA, a versão pequena do personagem custa a partir de US$ 30 (R$ 156). Há outras opções de tamanho do bichinho de pelúcia por mais de US$ 1.200 (R$ 6.000).
Em 2024, eram 130 lojas físicas e 192 máquinas de venda automática fora da China continental. Números que quase dobraram no ano passado, com a inauguração de outros 109 pontos de venda.
O grupo se tornou um dos exemplos de empresas chinesas com sucesso global. Em 2025, 39% da receita veio de vendas fora do país. O faturamento chegou a 37,1 bilhões de yuans (R$ 28 bilhões) no ano passado, salto de 185% em relação a 2024.
RAIO – X | POP MART
Sede: Pequim
Receita (2025): 37,1 bilhões de yuans (R$ 28 bilhões)
Funcionários: 10,8 mil
Concorrentes: Hasbro e Mattel
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