Ano Internacional da Defesa Planetária será em 2029 – 05/07/2026 – Mensageiro Sideral

Astrônomos e entusiastas do mundo todo estão se reunindo para promover debates e esforços de defesa planetária na campanha Asteroids2029. A ideia é apoiar o Ano Internacional da Conscientização sobre Asteroides e Defesa Planetária, instituído pela ONU para 2029. E por que daqui três anos? Porque será em 13 de abril de 2029 que testemunharemos um evento celeste raro e histórico: a passagem do asteroide Apófis de raspão pela Terra.

E não será aquele “de raspão” que a gente está acostumado a ver rotineiramente, quando um desses objetos passa a 1 milhão de km e o pessoal já faz estardalhaço. Esse vai ser de raspão mesmo, a meros 25 mil km da superfície terrestre —mais perto que os satélites artificiais em órbita geoestacionária.

Com 340 metros de diâmetro, o Apófis, em caso de colisão, poderia causar estragos em escala continental. Mas os cientistas já descartam qualquer chance de impacto no próximo século. Prever muito além disso complica, porque interações gravitacionais sutis ao longo do tempo vão tornando tudo mais incerto, mas, de toda forma, já dá para dizer que não será ele a ameaçar a existência da civilização pelas próximas décadas. Por outro lado, ele serve como um ótimo aviso de que o perigo é real.

Isso fora o show. Quando a hora chegar, olhe para cima. O asteroide vai passar tão perto que será possível observá-lo no céu noturno a olho nu, e bilhões de pessoas no mundo todo poderão notá-lo.

Será uma grande oportunidade para exploração científica, e provavelmente não haverá asteroide próximo à Terra mais detalhadamente estudado que ele. Além de observações a serem feitas com telescópios espaciais e em solo, várias sondas serão lançadas para poder investigar de perto nosso visitante ameaçador.

A missão Destiny+ será lançada pelo Japão e se encontrará com o Apófis em janeiro de 2029; a Ramses, da Agência Espacial Europeia, chegará um pouco depois, em fevereiro, embora ambas tenham partido da Terra juntas, no mesmo foguete H3 japonês.

Em abril, será a vez de a espaçonave da Nasa Osiris-Apex (antiga Osiris-Rex) fazer seu encontro com o asteroide, iniciando uma campanha de 18 meses de observações.

Por fim, uma missão chinesa desenvolvida pela Universidade de Tsinghua, chamada Start, deve estudar o asteroide quando ele estiver sob o máximo estresse de maré durante sua aproximação da Terra, produzindo dados que complementarão as missões maiores.

“A passagem histórica do asteroide oferece uma oportunidade única para mostrar que a ciência, a tecnologia e a cooperação entre os países são fundamentais para compreender e proteger o nosso planeta”, diz Cristóvão Jacques, astrônomo do Observatório Sonear, em Minas Gerais, e participante nacional da iniciativa.

“Atualmente atuo como ponto de contato para o Brasil perante a comissão internacional, mas aqui as atividades do Ano Internacional devem ser feitas em conjunto com a equipe brasileira do Asteroid Day, coordenada por Marcelo Zurita.”

O projeto já começa agora, e a primeira iniciativa foi o lançamento do website internacional, asteroids2029.org. Ele servirá como centro de informações do Ano Internacional e, aos poucos, com a inclusão de novos parceiros, ganhará seções dedicadas a várias regiões e idiomas.

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