A Apple lançou nesta terça-feira (28) um programa para que as pessoas possam alugar iPhones e outros dispositivos. Iniciativa surge em meio a uma escassez de chips de memória, causada pelo boom da inteligência artificial, que tem levado empresas do setor a aumentar os preços de seus produtos.
Pelo programa, chamado Apple Upgrade, consumidores nos Estados Unidos podem pagar mensalmente por alguns modelos de iPhone, iPad, Mac e Apple Watch, em vez de efetivamente comprar ou financiar os dispositivos.
Os contratos de leasing (sistema que mistura financiamento e aluguel) serão fornecidos pela Klarna, empresa conhecida por empréstimos do tipo “compre agora, pague depois”. Ao final do contrato, as pessoas podem fazer upgrade para uma nova versão do dispositivo, comprá-lo ou devolvê-lo e sair do programa.
A duração dos contratos pode ser de 12 meses ou 24 meses para os dispositivos iPhone e Apple Watch. Para iPads e Macbooks, contrato pode durar 24 meses ou 36 meses.
A Apple lançou uma versão mais restrita desse programa em 2015, que permitia que consumidores trocassem seu iPhone por um novo smartphone todo ano. A empresa disse que vinha trabalhando para expandir o programa há mais de dois anos. Agora, um MacBook Pro de US$ 1.999 (R$ 10,2 mil) pode ter uma parcela mensal de US$ 38,99 (R$ 199,68) ao longo de 36 meses.
O Apple Upgrade será “uma forma mais flexível” para os consumidores pagarem pelos produtos, disse Karen Rasmussen, que lidera a loja digital da Apple.
O programa de leasing é uma tentativa de tornar os produtos mais acessíveis enquanto a IA faz os preços de chips de memória e armazenamento dispararem. Chips de memória e armazenamento são usados em tudo, de celulares e laptops a carros e barcos.
Fabricantes de chips de IA como Nvidia e Advanced Micro Devices têm solicitado mais desses componentes para seus próprios chips, usados em data centers para desenvolver e executar IA. Isso levou fabricantes de chips de memória como a Micron a focar na produção de chips de IA e fabricar menos chips de uso doméstico, que ficaram mais caros.
Os preços de chips de memória e armazenamento quadruplicaram no último ano, segundo a Counterpoint Research, que monitora os mercados de smartphones e semicondutores. Empresas de eletrônicos de consumo começaram a repassar o custo aos consumidores.
Nos últimos meses, concorrentes da Apple aumentaram os preços de seus produtos, ou planejaram aumentos, incluindo os celulares Galaxy da Samsung, os celulares Pixel do Google e os laptops Surface da Microsoft. A escassez de chips de memória também está elevando os preços de consoles de videogame, incluindo Nintendo Switch, Xbox da Microsoft e PlayStation da Sony.
Em junho, a Apple aumentou os preços de alguns modelos de iPad e Mac em US$ 200 (R$ 1.024) ou mais, citando os custos crescentes de chips de memória e armazenamento.
A Apple “com certeza” vai aumentar os preços do iPhone em breve também, disse Richard Kramer, analista da consultoria de investimentos Arete Research. O programa de leasing da empresa, segundo ele, permite dizer aos consumidores: “Teremos mil e uma maneiras de financiar isso se você quiser comprar”.
O programa de leasing também pode ajudar a Apple a avançar ainda mais no mercado de dispositivos recondicionados, que são aparelhos usados, reparados e limpos para funcionar como novos, acrescentou Kramer. A Apple afirmou que vai recondicionar e revender dispositivos trocados pelo Apple Upgrade em boas condições, ou reciclá-los caso contrário.
“O novo programa de upgrade da Apple deve mitigar o risco dos aumentos de preços ao oferecer opções mais acessíveis para pessoas que querem comprar produtos novos”, disse Ron Johnson, que liderou o varejo da Apple de 2000 a 2011. “É meio inevitável estarmos nessa situação. As pessoas estão cada vez mais confortáveis pagando contas mensais.”
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