O Banco Central reduziu a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 0,25 ponto percentual na noite desta quarta-feira, 29, levando-a para 14,5% ao ano. O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, assim, manteve o ciclo de corte de juros iniciado em sua deliberação anterior, em março, quando promoveu um corte de igual tamanho. A votação de hoje pela pequena redução da Selic veio dentro das expectativas do mercado financeiro e foi unânime entre os seis membros que participaram da reunião do Copom.
A nova redução dos juros em 0,25 p.p. foi possível pois “o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica”, diz o comunicado do Copom. O comitê constata que, no Brasil, a atividade econômica tem apresentado sinais de moderação, apesar do mercado de trabalho ainda resiliente.
Tensões inflacionárias globais provocadas pela guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã são destaque entre as preocupações do Banco Central. Antes da eclosão do conflito, ainda em fevereiro, o mercado financeiro considerava possível a deliberação por cortes de juros maiores — previsão que foi bruscamente alterada pelo conflito que interdita o Estreito de Ormuz, por onde 20% do petróleo mundial trafega.
O Banco Central está particularmente preocupado com os efeitos da guerra “sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil”, consta no comunicado. As projeções da autoridade monetária para a inflação, inclusive, apresentaram algum distanciamento em relação à meta de 3% ao ano perseguida pelo BC. Agora, a projeção oficial para a inflação no terceiro trimestre de 2027 — considerado o “horizonte relevante” da política monetária — aumentou para 3,5%. Em março, estava em 3,3%. Os membros do Copom frisam que a incerteza sobre o dado aumentou dada a volatilidade do cenário econômico externo.
Três fatores são elencados pelo Copom como os principais riscos para uma eventual alta da inflação. São eles:
- Uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando mais impactos potenciais de restrições de oferta de petróleo e seus derivados.
- Uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada.
- Uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.
Visão do mercado financeiro
Instituições financeiras como Itaú BBA, Inter e XP Investimentos previam um corte de 0,25 p.p. na Selic nesta quarta-feira. Apesar da incerteza persistente a respeito da guerra no Oriente Médio, analistas apontam a queda recente do dólar como algo que ajuda a criar condições para a continuidade do ciclo de cortes de juros. Desde a reunião anterior do Copom, o valor da moeda americana caiu quase 3,3%, sendo hoje cotada a 5,02 reais.
O mercado financeiro piorou sua expectativa para a Selic em 2026 dias antes da decisão tomada pelo BC nesta quarta-feira. O último Boletim Focus, que reúne a visão de analistas consultados pela autoridade monetária, prevê uma taxa básica de juros de 13% no final do ano.
A taxa apontada pelo Focus não é muito diferente da estimada pelo banco Inter, que espera uma Selic de 12,75% na mesma época, enquanto a XP Investimentos é um pouco mais pessimista e acredita em uma taxa de 13,5% ao final de 2026. Ainda há muita incerteza a respeito dos próximos meses, contudo, ao ponto que algumas instituições evitam arriscar uma previsão para o fim do ano.
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