O autor de novelas Benedito Ruy Barbosa morreu nesta terça-feira, 7 de julho, aos 95 anos. Ele estava internado no Hospital do Coração (HCor), em São Paulo, por causa de complicações provocadas pela insuficiência renal crônica (IRC), doença que tratava havia três anos.
Relembre internação de Benedito Ruy Barbosa em janeiro
Relembre internação de Benedito Ruy Barbosa em junho
Relembre final da internação de Benedito Ruy Barbosa em junho
A informação foi confirmada pelo Hospital do Coração (HCor), em nota enviada ao colunista Lucas Pasin, do Metrópoles. “O Hcor informa que o autor Benedito Ruy Barbosa, de 95 anos, faleceu nesta manhã devido a complicações de insuficiência renal crônica (IRC). A instituição se solidariza com os familiares e amigos neste momento de pesar”.
Benedito recebeu o diagnóstico de insuficiência renal crônica há três anos. Desde então, enfrentou diversas internações por causa da doença e infecções recorrentes do trato urinário. Em janeiro deste ano, o novelista permaneceu internado 19 dias também no HCor para tratr uma infecção urinária associada ao quadro de insuficiência renal crônica.
Do interior paulista para a televisão
Natural de Gália, no interior de São Paulo, Benedito Ruy Barbosa nasceu em 17 de abril de 1931. Ainda criança, passou parte da infância em Vera Cruz. A convivência com cafezais e comunidades formadas por imigrantes europeus e asiáticos influenciou diretamente as histórias que escreveria nas décadas seguintes.
Benedito Ruy Barbosa foi Bisavô por 10 vezes
Posteriormente, mudou-se para São Paulo. Depois, viveu por um curto período em Maringá, no Paraná. A experiência ampliou o repertório sobre a vida no campo, tema que acompanhou praticamente toda a sua carreira. Antes de conquistar espaço na televisão, escreveu o romance “Fogo Frio”, adaptado para o teatro em 1959. A montagem representou sua primeira produção dramatúrgica.
Ao mesmo tempo, Benedito também construiu carreira no jornalismo. Depois de vencer um concurso promovido pelo jornal O Estado de S. Paulo, trabalhou como repórter esportivo. Em seguida, passou a atuar como redator da agência de publicidade J.W. Thompson. Sua estreia como autor de novelas aconteceu em 1966, com “Somos Todos Irmãos”, exibida pela TV Tupi.
Novelas que marcaram gerações
Nos anos seguintes, Benedito Ruy Barbosa construiu uma das carreiras mais importantes da dramaturgia brasileira. Entre os principais trabalhos aparecem “Meu Pedacinho de Chão” (1971), “Cabocla” (1979) e “Sinhá Moça” (1986). Em 1990, lançou “Pantanal” na TV Manchete. A novela se transformou em um fenômeno de audiência.
Na época, a Globo recusou o projeto. No entanto, 34 anos depois, a emissora produziu um remake da história. Logo depois, Benedito escreveu “Renascer” (1993), na TV Globo. A produção reforçou uma característica marcante do autor: histórias divididas em duas fases e ambientadas em cenários naturais. Já em “O Rei do Gado” (1996), o novelista abordou o MST (Movimento Sem Terra).
Saiba como Benedito Ruy Barbosa reagiu à adaptação de Renascer
O tema provocou reações de fazendeiros, e Benedito recebeu ameaças por causa da trama. Foi a primeira vez que uma novela tratou o assunto dessa forma. Em seguida, o autor assinou “Terra Nostra” (1998) e “Esperança” (2002). Em todas essas produções, o universo rural, os imigrantes e os grandes romances ocuparam papel central nas histórias.
Legado de Benedito Ruy Barbosa
Benedito também reescreveu duas obras de sua autoria para a televisão: “Sinhá Moça” (2006) e “Meu Pedacinho de Chão” (2014). Anos depois, seu neto Bruno Luperi assumiu a adaptação de “Pantanal” (2022) e “Renascer” (2023) para a TV Globo, mantendo vivas duas das novelas mais conhecidas da dramaturgia brasileira.
A última novela inédita escrita por Benedito foi “Velho Chico”, exibida em 2016. A produção ficou marcada pela morte do protagonista Domingos Montagner, que morreu afogado no Rio São Francisco nas gravações.
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Benedito Ruy Barbosa foi casado por 56 anos com a atriz Marilene Leonor Barbosa. Ela morreu em agosto de 2014 em decorrência de um câncer. O autor deixa os filhos Edmara, Edilene, Marcelo e Ruy.
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