Os primeiros sinais do El Niño no Brasil já começaram a aparecer e devem se intensificar em breve. Caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico tropical, o fenômeno costuma trazer mais chuvas para o Sul do país e agravar a seca nas regiões Norte e Nordeste.
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Mas há um cenário que se repete em todo o território brasileiro: o calor extremo. De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o Brasil deve passar por ao menos seis ondas de calor até o fim deste ano.
Impactos para a saúde e para a economia
- Para a ciência, uma onda de calor ocorre quando as temperaturas máximas e mínimas ficam muito acima da média histórica para o período.
- Mas não basta apenas um dia muito quente.
- E sim, no mínimo, três dias consecutivos de temperaturas escaldantes.
- Isso ocorre a partir da formação de áreas de alta pressão que ficam paradas sobre uma região por vários dias.
- Esses sistemas funcionam como uma espécie de tampa, bloqueando as nuvens e a chegada de chuva, e impedindo que uma massa de ar seco e quente se desloque para outro local.
- As ondas de calor podem causar problemas de saúde como desidratação, insolação e exaustão térmica.
- Elas também provocam prejuízos ambientais e econômicos, incluindo secas prolongadas, aumento de incêndios florestais, queda na produção agrícola e alta demanda no consumo de energia elétrica.
Ondas de calor estão mais frequentes
Segundo os dados do Cemaden, houve uma mudança de comportamento das ondas de calor nas últimas duas décadas. Nos anos 1980 e 1990, os episódios eram raros e mais concentrados em regiões específicas, como o Nordeste.
Mas a partir de 2010, e principalmente depois de 2020, eles passaram a afetar uma área maior do território, atingindo o país inteiro ao mesmo tempo em vez de se concentrar em um ponto do mapa. Ou seja, as ondas de calor estão mais frequentes e mais extensas.
O período de 2023 a 2024 foi o pico da série histórica, com nove ondas de calor registradas entre agosto e dezembro, mais que o dobro da média geral do país, que é de quatro registros. Mas essa marca pode ser superada em breve. Isso porque não está descartada a ocorrência de um Super El Niño, o que deixaria o clima ainda mais extremo nos próximos meses.
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Embora ainda não seja possível precisar a data, a primeira onda de calor deste novo ciclo é esperada para setembro. A previsão indica temperaturas acima da média em quase todo o Brasil, com índices que podem chegar a 3°C acima da média.

Alessandro Di Lorenzo
Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
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