A aprovação da reforma do Imposto de Renda pela Câmara dos Deputados dominou as discussões da C-Level Call, conversa semanal sobre economia promovida pela Folha, nesta quinta-feira (2).
As jornalistas Idiana Tomazelli e Adriana Fernandes comentaram o impacto do projeto sobre o sistema tributário brasileiro e suas possíveis repercussões eleitorais para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que vê nessa pauta uma vitrine importante para o pleito de 2026.
“[A medida] é tão popular que nas duas últimas eleições foi promessa de campanha tanto do presidente Lula quanto do ex-presidente Jair Bolsonaro e do atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad”, lembrou a repórter especial Adriana Fernandes.
“Durante a votação, alguns parlamentares ressaltaram isso, ‘a gente vota meio contrariado, mas vamos aprovar’, porque ficou uma coisa meio que incontornável, não dava para remar contra”, comentou Idiana Tomazelli.
Relatado pelo deputado federal Arthur Lira (PP-AL), o projeto que isenta o imposto de renda para quem ganha até R$ 5.000 foi aprovado de forma unânime no plenário da Câmara. Os deputados apoiaram inclusive a criação de um imposto mínimo para a alta renda, medida que era alvo de resistência no Parlamento.
“Quando o governo enviou esse projeto no ano passado, a rejeição foi enorme”, lembrou Adriana Fernandes. “O mercado desabou, houve críticas de que o governo tinha errado no envio desse projeto como compensação [para as perdas de receitas com a isenção]”.
O governo acionou a militância e construiu um discurso de justiça tributária nas redes, que conseguiu ampliar a pressão da opinião pública em favor da pauta. “Muita gente reclamou dessa polarização, dessa coisa que ficou conhecida como ‘nós contra eles’, mas acabou dando certo”, comentou Idiana.
Agora o texto vai ao Senado, onde, segundo mostrou reportagem da Folha, também deve ser aprovado rapidamente. “Diante do que aconteceu na Câmara, eu acho muito difícil o Senado Federal mudar o projeto”, comentou Adriana Fernandes.
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LULA, TRUMP E O TARIFAÇO
A antecipada conversa entre Lula e o presidente americano Donald Trump, que havia sido anunciada pelo republicano para esta semana, ainda não tem data para acontecer.
Questionada sobre as chances de tal diálogo gerar um bom acordo para o Brasil, a repórter Idiana Tomazelli citou a falta de indícios sobre o tema, lembrando, porém, que autoridades dos dois países têm conduzido reuniões bilaterais.
“O encontro propriamente dito ainda não aconteceu, mas o vice-presidente Geraldo Alckmin está em conversas com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick”, disse. “O cenário para o Brasil é mais positivo do que um mês atrás, justamente porque voltou a haver diálogo”.
Adriana lembrou da pressão exercida por companhias com presença nos Estados Unidos sobre o governo daquele país. “O presidente Lula falou menos [sobre o tarifaço], e acho que isso é um sinal de que as coisas estão andando e outros produtos podem ser beneficiados [com exceções à lista das tarifas]”.
Na semana passada, a Folha revelou uma reunião entre o herdeiro da gigante da proteína animal JBS, Joesley Batista, e o presidente Donald Trump, para tratar do tarifaço. Além dele, o presidente da Embraer e de outras empresas de grande porte também fizeram contatos de alto nível com representantes do governo americano.
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