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“Capa” esférica dourada no fundo do oceano é identificada

Em 2023, cientistas encontraram um objeto incomum no fundo do oceano, em uma região tão profunda que a luz do Sol não chega. 

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Durante uma expedição, um veículo operado remotamente identificou uma estrutura esférica dourada presa a uma rocha. O brilho intenso sob as luzes do equipamento chamou a atenção da equipe, que nunca havia visto algo parecido.

Em resumo:

  • Objeto dourado desconhecido foi encontrado no fundo do oceano em 2023;
  • Inicialmente suspeitava-se de ser cápsula de ovos;
  • Depois, foi identificado como cutícula de anêmona-do-mar;
  • Estrutura é rica em quitina, cnidócitos e microrganismos;
  • Descoberta ajuda a entender a vida em ambientes extremos oceânicos.

No primeiro momento, a principal hipótese era de que o objeto fosse uma cápsula de ovos de algum animal marinho desconhecido. A aparência curiosa e o ambiente extremo reforçavam essa possibilidade. No entanto, após três anos de análises detalhadas, os pesquisadores chegaram a uma conclusão diferente.

Anêmona deixou pele para trás

Na verdade, o material dourado era um pedaço de “pele” deixado para trás por uma anêmona-do-mar. Esse tipo de organismo vive fixo no fundo do oceano, mas pode se deslocar lentamente. Durante esse processo, ou possivelmente em uma tentativa de reprodução, ele pode descartar parte de sua estrutura externa.

A investigação permitiu chegar à identificação do organismo associado ao material: ele pertence à espécie Relicanthus daphneae, um cnidário que vive em águas profundas e possui tentáculos que podem ultrapassar dois metros de comprimento. A descoberta foi descrita em um artigo publicado esta semana no periódico científico bioRxiv.

O objeto encontrado media cerca de 10 centímetros de diâmetro e apresentava um pequeno orifício em um dos lados. Ele estava localizado no Golfo do Alasca, a aproximadamente 3.250 metros de profundidade. Nessas condições, o ambiente é extremamente frio, escuro e sujeito a pressões muito elevadas, o que dificulta a exploração.


A equipe responsável pela descoberta estava a bordo do navio de pesquisa Okeanos Explorer, da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). A estrutura foi observada durante uma transmissão ao vivo realizada pelo veículo Deep Discoverer, que permitia acompanhar as imagens em tempo real.

Anêmona-do-mar Relicanthus daphneae, observada em 2016 pela NOAA nas Ilhas Marianas – mesma espécie relacionada ao achado do Alasca – Crédito: NOAA Ocean Exploration, Deepwater Exploration of the Marianas

Descoberta no fundo do oceano surpreendeu pesquisadores

Durante a missão, os cientistas reagiram com surpresa ao encontrar a “capa”. Alguns levantaram hipóteses sobre a origem do material, enquanto outros demonstraram cautela ao lidar com o objeto desconhecido. A coleta foi feita com o auxílio de um braço robótico, que transportou a amostra até o laboratório.

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Inicialmente, os pesquisadores consideraram que poderia se tratar de uma esponja morta, coral ou massa de ovos. Porém, análises mais aprofundadas mostraram que o material não possuía a estrutura típica de um organismo completo. Em vez disso, apresentava uma composição fibrosa.

Outro detalhe importante foi a presença de células chamadas cnidócitos, responsáveis por liberar substâncias urticantes. Essas células são características de animais como corais e anêmonas. No caso específico da amostra, foram identificados espirocistos, um tipo exclusivo de um grupo chamado Hexacorallia.

anêmona do mar
Uma R. daphneae presa ao caule de uma esponja marinha morta, observada em uma expedição de 2016 – Crédito: NOAA

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Sequenciamento genético desvendou o enigma

Apesar dessas pistas, os testes iniciais de DNA não trouxeram respostas conclusivas. Isso ocorreu porque a amostra estava contaminada por diversos microrganismos. Somente após o sequenciamento completo do material genético foi possível encontrar uma correspondência com a espécie Relicanthus daphneae.

Os cientistas explicam que a estrutura encontrada é uma cutícula, uma camada externa fina produzida por algumas anêmonas. Essa camada é composta principalmente por quitina, uma substância resistente também presente em carapaças de insetos e em paredes celulares de fungos. A cutícula pode se desprender e permanecer no fundo do mar.

Observações indicam que esse material pode ser deixado para trás quando o animal se move. Outra hipótese é que esteja relacionado ao processo de reprodução. Algumas anêmonas se reproduzem de forma assexuada, deixando partes do corpo que podem dar origem a novos indivíduos.

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Ainda não há confirmação de que esse seja o caso específico dessa espécie. No entanto, a descoberta abre novas possibilidades para entender como esses organismos sobrevivem e se reproduzem em ambientes tão extremos. O fundo do oceano continua sendo uma das regiões menos exploradas do planeta.

Além disso, a análise revelou que a cutícula abriga grande quantidade de microrganismos. Esses seres utilizam o material como fonte de alimento, contribuindo para a decomposição e para o ciclo de nutrientes no ambiente marinho. Esse processo é essencial para manter o equilíbrio dos ecossistemas.

A descoberta mostra que, mesmo estruturas aparentemente simples, podem desempenhar papéis importantes no oceano profundo. Segundo a NOAA, cada nova exploração ajuda a compreender melhor a biodiversidade marinha e os processos naturais que sustentam a vida no planeta.


Fonte: Link da fonte

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