Casas Bahia: vendas digitais despencam 35% após RJ – 06/10/2026 – Negócios


São Paulo


A perícia determinada pela Justiça de São Paulo para verificar a situação da Casas Bahia concluiu que a varejista continua operando, mas registrou forte retração da atividade em agosto, mês em que a companhia pediu recuperação judicial.

Segundo laudo protocolado na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, as vendas pelos canais digitais caíram 35,3% em 30 dias, enquanto as expedições dos centros de distribuição recuaram 77,2% no mesmo período.

A perícia não observou falta visível de produtos nos mostruários das lojas. Em alguns centros de distribuição, no entanto, foram encontrados estoques reduzidos e áreas ociosas. A companhia atribuiu a situação às dificuldades financeiras que, segundo informou à perícia, limitam a recomposição dos estoques.

Procurada pela reportagem da Folha, a varejista não quis comentar.



Unidade da Casas Bahia em São Caetano (SP)

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Felipe Iruatã – 18.ago.26/Folhapress

O quadro de funcionários encolheu em 4.647 vínculos, de 29,7 mil, em 3 de agosto, para 25 mil, em 28 de agosto —uma queda de 15,6%. Os desligamentos ocorreram antes do pedido de recuperação, e as rescisões somam R$ 126,7 milhões.

Os dados da ACFB Administração Judicial compõem etapa anterior à decisão do juiz sobre aceitar ou não o pedido de recuperação judicial da empresa, feito em 16 de agosto, com uma dívida de R$ 17,3 bilhões.

A equipe da perita visitou, entre 27 de agosto e 17 de setembro, todas as 744 lojas e os 29 centros de distribuição do grupo Casas Bahia. Nas diligências, foi constatada atividade em 735 lojas e em 25 centros.

Em oito lojas e três centros, não foram encontrados sinais de operação da empresa, e dois endereços ficaram sem confirmação. Em Guarulhos (SP) e Palmas, os galpões eram ocupados por outras companhias.

Segundo o relatório, os números fornecidos pela companhia mostram perda de fôlego. No ecommerce, o valor das mercadorias vendidas caiu de R$ 1,18 bilhão, entre 30 de junho e 29 de julho, para R$ 763,6 milhões nos 30 dias seguintes, até 28 de agosto —o dado inclui o valor de produtos de lojistas terceiros que vendem na plataforma e, por isso, não equivale à receita do grupo.

Nas lojas físicas, a queda foi de 20% na mesma comparação, saindo de R$ 1,09 bilhão para R$ 868,4 milhões. A perita afirma que das 744 unidades da rede, 742 venderam menos do que a média dos meses anteriores.

A base de vendas fornecida pelo grupo Casas Bahia à perícia lista 302 códigos de loja que não constam no cadastro atual. Não existe uma indicação do que aconteceu, mas a hipótese da perita é que essas unidades possivelmente tenham sido encerradas recentemente. Juntas, elas venderam R$ 3,21 bilhões em 12 meses.

Os centros de distribuição expediram 1,38 milhão de itens de 30 de julho a 13 de agosto e 315,8 mil de 14 a 28 de agosto (período que inclui a data do pedido de recuperação). No mês de agosto, a movimentação total foi 50,4% menor que a do mesmo mês de 2025.

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O laudo também indica que dos R$ 999,2 milhões que entraram no caixa do grupo em agosto, R$ 407,2 milhões foram para contas vinculadas, que servem de garantia a credores.

De acordo com uma simulação da perita, se R$ 377,2 milhões dessas entradas fossem integralmente retidos, a Casas Bahia precisaria de um reforço de caixa de até R$ 257,1 milhões para cumprir obrigações com pagamentos de um mês. O laudo afirma, no entanto, que a simulação não comprova déficit já ocorrido.

Nos dias após o pedido de recuperação, a Casas Bahia pediu à Justiça proteção contra a retenção de recursos e o vencimento antecipado de dívidas. O argumento utilizado era o de que sem alguns serviços essenciais, a operação seria diretamente afetada. O laudo da ACFB, no entanto, aponta que os contratos devem ser analisados separadamente e não sustenta proteção cautelar indistinta de todos os contratos.

“A narrativa inicial [da varejista] mostrou-se plausível nos limites expostos, sem afastar as divergências e pendências identificadas. Esses resultados oferecem elementos para a apreciação do pedido de processamento e das medidas requeridas”, disse a ACFB sobre o relato apresentado pela Casas Bahia no pedido de recuperação.

A perita diz que as dez empresas do grupo cumprem os requisitos para pedir recuperação, mas os documentos exigidos por lei não foram entregues completos. Isso, no entanto, não é determinante para barrar o pedido de recuperação judicial, o que será definido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo nas próximas semanas.

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