Uma bebida sem álcool, sem glúten e com adição de proteínas é cerveja? Para a Ambev, sim. A empresa anuncia nessa quinta-feira (23) o lançamento da Spaten Pro, novo rótulo voltado para o portfólio de “consumo equilibrado” da companhia.
Com dez gramas de proteína, a cerveja escura do tipo Munich Dunkel é a aposta da companhia para entrar no segmento de alimentos proteicos, em vista de tendências como o crescimento da procura por academias e do uso de canetas emagrecedoras.
“A nova fronteira do setor cervejeiro no Brasil é a criação de ocasiões para tomar cerveja. A Spaten Pro não vem para, necessariamente, substituir o consumo de bebidas proteicas ou de cerveja, mas para introduzir novas formas de consumir essas coisas”, diz Daniel Waks, VP de marketing da Ambev.
O rótulo é o mais recente dos investimentos da empresa no segmento “wellness”: a versão sem álcool da Corona, a introdução da Michelob Ultra (menos calórica) no Brasil e a Stella Pure Golden (sem glúten e menos calórica) são outros exemplos.
Segundo o líder do marketing da organização, o desafio para todos os players do mercado é combinar saudabilidade e indulgência —isto é, ter um bom sabor, que o cliente procure, e uma tabela nutricional que não o afaste. “O consumidor não quer abrir mão de nada: nem da meta nutricional, nem de beber uma cerveja. Corremos atrás disso”, afirma Waks.
A Spaten Pro chega ao mercado no fim de agosto. As vendas começam em São Paulo, Rio de Janeiro e via Zé Delivery, aplicativo de entrega de bebidas da companhia. A expansão nacional vem depois dessa primeira fase. A Ambev ainda não revelou o preço exato no qual a bebida chega às prateleiras, mas afirma que ela entra na faixa “super premium”: de R$ 10 a R$ 13 pela lata de 350 ml.
O Brasil é o mercado piloto do produto para a Ambev, que pode levá-lo ao consumidor global, a depender do resultado nacional.
Proteínas
Segundo Lucas Dato, diretor do CIT (Centro de Inovação e Tecnologia) da Ambev para a América do Sul, foram mais de 100 protótipos até chegar ao produto. Das 10g, 75% são proteínas do whey (derivadas do soro do leite) hidrolisado e 25% do colágeno hidrolisado.
A ideia é criar um produto que não recorra ao sabor leitoso ou doce da maior parte dos produtos proteicos, mas buscando proteínas de alta absorção pelo organismo —fator importante para o consumidor do mundo “fitness”.
Mesmo assim, a escolha pela Munich Dunkel —cerveja escura com notas como malte tostado, caramelo, baunilha e cacau— traz um perfil de sabor semelhante ao visto no mercado para o produto. Segundo Dato, ainda não é o momento de fugir totalmente do que o consumidor conhece como “proteico”.
Sobre o aumento do preço de insumos proteicos no mercado, o líder do marketing afirma que a prioridade foi a qualidade do insumo e uma possível inflação nos preços dele não gera pressão de custo grande o suficiente para preocupar a empresa neste momento. A escala e tamanho da companhia também ajudam a diluir os impactos —carta na manga com a qual empresas menores de suplementos podem não contar.
A repórter viajou a convite da Ambev.
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