China e Brasil pretendem criar um laboratório de tecnologias espaciais, segundo a empresa de eletrônicos de defesa CETC, estreitando os laços científicos entre os dois países.
O Instituto de Pesquisa em Comunicações de Rede da estatal CETC assinou um acordo com as universidades federais de Campina Grande (UFCG) e da Paraíba (UFPB) para estabelecer o Laboratório Conjunto China-Brasil de Tecnologia de Radioastronomia.
A CETC disse nesta terça-feira (9) que o laboratório conjunto apoiará pesquisas de fronteira para observação astronômica e exploração do espaço profundo.
A crescente cooperação contrasta com a recente pressão dos EUA sobre países latino-americanos para cortar ou minimizar laços com a China, inclusive na área espacial. Dois projetos chineses de telescópios no Chile e na Argentina foram congelados desde que Donald Trump retornou à Casa Branca.
Autoridades americanas veem esses telescópios como ferramentas que poderiam ser utilizadas por Pequim para reforçar a capacidade chinesa de vigilância sobre o território americano e as atividades de Washington em uma região que considera crucial. A China, por sua vez, acusou os EUA de interferência e de politizar a cooperação científica.
China e Brasil já atuam no desenvolvimento do radiotelescópio Bingo, projetado para ajudar a estudar a estrutura do Universo e a energia escura.
Em junho, a CETC afirmou que a estrutura principal do telescópio havia sido concluída na China e enviada do porto de Tianjin para o Brasil. O instrumento, anunciado como o maior radiotelescópio da América do Sul, tem previsão de conclusão para 2026.
O Bingo também poderá ajudar a identificar potenciais ameaças de objetos próximos à Terra.
Telescópios potentes são utilizados para monitoramento do espaço. Eles podem prever, por exemplo, quando satélites militares dos EUA passam sobre determinadas regiões e ajudar a coordenar o uso de armas antissatélite (ASAT), de acordo com um relatório de 2022 da Agência de Inteligência de Defesa americana.
Pequim tem usado suas capacidades espaciais, que avançaram nas últimas duas décadas, como uma ferramenta diplomática para aumentar sua influência na Ásia, África e América do Sul, instalando telescópios, construindo satélites e oferecendo treinamento.
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