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China quer atrair capital externo e ampliar negócios fora do país

A China pretende abrir mais atividades ao capital estrangeiro e ampliar a atuação de suas empresas em outros países. O plano inclui reduzir restrições para investidores de fora, facilitar a instalação de sedes e centros de pesquisa no mercado chinês e apoiar companhias nacionais que buscam negócios no exterior. No Brasil, o governo cita projetos de transmissão de energia e um terminal no porto de Santos como exemplos dessa atuação.

As medidas foram apresentadas por Zhang Zhiqing, vice-diretor-geral do departamento de capital estrangeiro e investimento no exterior da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, no seminário Cidades Inteligentes, em Pequim, na China. O setor de serviços está entre os focos da próxima etapa de abertura. A proposta também prevê ajustes nas tarifas de importação e iniciativas para ampliar o comércio de serviços, o comércio digital e o de bens ligados à economia verde.

A China já havia reduzido, de 93 para 29, o número de medidas restritivas de sua lista nacional de investimentos estrangeiros entre 2017 e 2024. As restrições de acesso à indústria manufatureira foram eliminadas, segundo a apresentação de Zhang Zhiqing. Em serviços, a abertura deverá avançar de forma gradual, com testes em setores e regiões escolhidos pelo governo. Pequim também quer atrair investimentos para áreas de alta tecnologia e incentivar empresas estrangeiras já instaladas no país a reinvestir.

No Brasil, um dos casos apresentados por Zhang é o da State Grid. A empresa chinesa opera linhas que transportam a energia produzida pela usina de Belo Monte, no Pará. Segundo os dados expostos pelo governo chinês, a State Grid investiu US$ 11,2 bilhões no país. Suas linhas de transmissão, incluindo as ligadas a Belo Monte, somam cerca de 23 mil quilômetros e representam aproximadamente 12% da extensão da rede brasileira de transmissão, de acordo com a apresentação. A empresa presta serviços de fornecimento de energia a 15 estados, segundo o mesmo documento.

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O outro exemplo é o terminal STS11, no porto de Santos, em São Paulo. A chinesa COFCO obteve a concessão por 25 anos em março de 2022. O investimento previsto é de US$ 288 milhões em uma área de 98 mil metros quadrados. As obras começaram em 2023, e a primeira etapa foi concluída em maio de 2025, segundo o material apresentado por Zhang. A segunda tem previsão de conclusão até o fim de 2026. Quando estiver pronto, o STS11 deverá se tornar o maior terminal de produtos agrícolas do porto, afirma o governo chinês.

Os projetos ocupam pontos distintos da economia brasileira. A State Grid investiu na rede que leva energia produzida no Pará a outras regiões do país. A COFCO investe na estrutura portuária usada para movimentar produtos agrícolas. Ambos foram escolhidos pelo governo chinês para apresentar a atuação de suas empresas no exterior.

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Para apoiar essa expansão, Pequim planeja oferecer mais serviços às companhias que investem fora da China e orientar a instalação de partes de suas cadeias de produção e abastecimento em outros países. A apresentação de Zhang Zhiqing também prevê análises de segurança e mecanismos de controle de riscos para esses negócios.

Dentro da China, a redução de barreiras terá limites. As diretrizes mencionam revisões de segurança para investimentos estrangeiros, regras para a circulação internacional de dados e cautela na abertura do mercado financeiro. A entrada e a saída de investimentos seguirão condições definidas pelo governo chinês.

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