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Cometa interestelar 3I/ATLAS pode ser mais antigo que o Sistema Solar, indicam novas análises

Um grupo de pesquisadores liderado pelo astrofísico molecular Martin Cordiner identificou sinais de que o cometa interestelar 3I/ATLAS pode ter se formado há cerca de 11 a 12 bilhões de anos, ou seja, antes do nosso Sistema Solar. A conclusão foi alcançada após o estudo da composição química do objeto, observado por instrumentos astronômicos de alta precisão. A pesquisa científica foi publicada na revista Nature nesta segunda-feira (22) e pode ser lida aqui.

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Os resultados foram obtidos a partir de medições realizadas após a passagem do corpo celeste pelo Sistema Solar, ocorrida em 2025. As análises apontam que o material que deu origem ao cometa surgiu em uma região extremamente fria e pouco enriquecida pelos elementos produzidos por gerações sucessivas de estrelas.

A descoberta chama a atenção porque o 3I/ATLAS já havia se destacado por apresentar características diferentes tanto dos cometas conhecidos do Sistema Solar quanto dos outros dois objetos interestelares identificados anteriormente. Agora, os dados reforçam a hipótese de que ele preserve registros químicos de uma fase muito antiga da história da Via Láctea.

O que os cientistas descobriram sobre o 3I/ATLAS

Observações do cometa 3I/ATLAS feitas pelo Telescópio Espacial James Webb surpreendem cientistas – Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, M. Belyakov (Caltech), I. Wong (STScI), Processamento de imagem: A. Pagan (STScI)

As conclusões foram obtidas por meio da análise de observações em infravermelho e em rádio, utilizadas para investigar a composição da nuvem de gases que envolve o cometa. Os pesquisadores concentraram o trabalho na proporção entre diferentes isótopos de hidrogênio e carbono, elementos capazes de fornecer pistas sobre o ambiente em que o objeto se formou.

Um dos resultados mais relevantes envolveu a água presente ao redor do cometa. O estudo identificou uma quantidade excepcionalmente elevada de deutério, uma forma mais pesada do hidrogênio. A proporção encontrada foi de 0,98%, valor superior ao observado em cometas do Sistema Solar.

Segundo os modelos utilizados pelos pesquisadores, esse enriquecimento extremo costuma ocorrer quando o gelo se forma em temperaturas inferiores a 30 kelvin, o equivalente a aproximadamente 243 graus Celsius negativos. Esse cenário indica que parte significativa da água do objeto surgiu em uma região muito distante do calor de uma estrela.


Ao comentar os resultados, Cordiner destacou que a descoberta altera a forma como os cientistas enxergam o visitante interestelar. “Subitamente, não estamos mais perguntando ‘isso é um cometa?’, mas ‘o que esse objeto único pode nos contar sobre a história da nossa galáxia?‘”, afirmou Martin Cordiner, astrofísico molecular do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, em entrevista ao ScienceAlert.

GIF astronômico do cometa interestelar 3I/ATLAS capturado pela sonda JUICE. A imagem alterna entre tons de laranja (filtro vermelho) e azul (filtro violeta
O cometa interestelar 3I/ATLAS visto por meio dos filtros vermelho (exibido em laranja) e violeta (em azul) da câmera JANUS. No filtro vermelho, o núcleo é mais compacto e revela duas caudas; já no violeta, o brilho se expande, mas apenas uma cauda se destaca. A diferença visual ocorre porque partículas de gás e poeira refletem a luz em diferentes comprimentos de onda. – ESA / Divulgação

Conforme relatado pelo pesquisador, a assinatura química encontrada na água representa um desafio para os modelos atuais de formação de gelo no espaço. “A detecção de uma quantidade tão expressiva de água contendo deutério é surpreendente, pois difere de qualquer outro objeto primitivo do Sistema Solar e desafia nossa compreensão sobre como os gelos são formados no espaço.”

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As medições relacionadas ao carbono revelaram outro aspecto incomum. O objeto apresentou uma razão elevada entre os isótopos carbono-12 e carbono-13, padrão associado a materiais que passaram por pouca influência de sucessivas gerações de estrelas.

Isso ocorre porque os elementos mais pesados são produzidos no interior das estrelas e espalhados pelo espaço ao longo de sua evolução e morte. Quanto mais enriquecida quimicamente uma região da galáxia, maior tende a ser a presença desses elementos em novos corpos celestes formados ali.

Com base na comparação entre os dados observados e modelos de evolução química da Via Láctea, a equipe estimou que o 3I/ATLAS pode ter surgido quando a galáxia ainda era relativamente jovem, muito antes do surgimento do Sistema Solar.

Os autores, porém, ressaltam que existe outra possibilidade: o cometa pode ter se formado em uma área isolada e pouco afetada pelo material expelido por estrelas, o que produziria uma composição semelhante à de objetos muito antigos.

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A origem exata do corpo interestelar, entretanto, provavelmente permanecerá desconhecida. De acordo com Cordiner, as limitações atuais da astronomia impedem reconstruir com precisão a trajetória do objeto por períodos extremamente longos, especialmente diante da complexidade dos movimentos estelares e das nuvens interestelares na galáxia.

Mesmo sem uma resposta definitiva sobre seu ponto de partida, os pesquisadores consideram que o cometa oferece uma oportunidade rara para investigar fases antigas da evolução galáctica. Por permanecer congelado durante a maior parte de sua existência, o objeto pode ter preservado características químicas praticamente inalteradas ao longo de bilhões de anos.

Atualmente, o 3I/ATLAS continua sua viagem para fora do Sistema Solar. Segundo os cientistas, ele já ultrapassou a órbita de Júpiter, deverá cruzar a região da órbita de Plutão em 2029 e pode deixar a heliosfera por volta de 2035.

Wagner Edwards

Wagner Edwards

Wagner Edwards é Bacharel em Jornalismo e atua como Analista de SEO e de Conteúdo no Olhar Digital. Possui experiência, também, na redação, edição e produção de textos para notícias e reportagens.

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