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confira fatos e dados sobre o que pode ser o maior IPO da história

O IPO da SpaceX, que acontece nesta sexta-feira (12), promete entrar para a história como a maior operação de abertura de capital já feita em todos os tempos. A empresa do multibilionário Elon Musk, conhecida inicialmente pelos foguetes espaciais e, depois, pela internet via satélite da Starlink, está desde fevereiro na corrida da Inteligência Artificial após fusão com a xAI. Neste IPO, a empresa espera captar US$ 75 bilhões com ações a US$ 135, passando a valer cerca de US$ 1,75 trilhão.

A busca de investidores por uma ação da empresa já atraiu mais de US$ 70 bilhões, segundo a Bloomberg. 

BDR da SpaceX chega à B3 no mesmo dia do IPO; saiba como investir

Para se ter uma ideia dos números expressivos deste IPO, podemos voltar aos dados de outras grandes empresas que abriram capital. A Saudi Aramco, maior companhia petrolífera do mundo em reservas de óleo cru e produção sediada na Arábia Saudita, levantou cerca de US$ 29 bilhões em seu IPO, em 2019. Já o Alibaba, conglomerado chinês de tecnologia e e-commerce, captou aproximadamente US$ 25 bilhões em 2014, aponta Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil.

O que atrai os investidores para o IPO

Especialistas explicam que não são apenas os lançamentos espaciais que motivam essa busca por um pedaço da empresa. O mercado está precificando uma combinação de ativos estratégicos, como liderança em transporte espacial, rede global de conectividade pela Starlink, infraestrutura de defesa, potencial integração com inteligência artificial e a capacidade de executar projetos complexos em escala global, explica Celso Brandão, CEO e fundador da AVEX AI LAB. “O investidor não está comprando apenas uma empresa espacial; está comprando exposição a uma infraestrutura tecnológica que deverá se expandir nas próximas décadas”, diz.

Os pilares da SpaceX

Em fevereiro, a fusão entre SpaceX e xAI foi estratégica e redefiniu o posicionamento da empresa. Com ela, a SpaceX reestruturou o modelo de apresentação de negócios em três segmentos: Espaço, Conectividade e Inteligência Artificial, que engloba a xAI, o sistema Grok e a rede social X, explica João Crapina, analista da Suno Research. Brandão cita, também, o posicionamento estratégico da empresa em defesa e segurança nacional, setor que tende a ganhar relevância geopolítica crescente.

“O diferencial da SpaceX é justamente a convergência desses pilares. Poucas empresas no mundo controlam simultaneamente infraestrutura física, conectividade global, capacidade computacional e inteligência artificial. Isso faz com que o mercado passe a enxergá-la menos como uma empresa aeroespacial e mais como uma plataforma tecnológica integrada”, diz Brandão.

Receitas e prejuízos bilionários da SpaceX

É na rede Starlink que se constitui a tese central de rentabilidade da SpaceX. Em 2025, o segmento gerou US$ 11,4 bilhões de receita e US$ 4,4 bilhões de lucro operacional.

Já os demais setores operam no prejuízo. A divisão de Inteligência Artificial teve prejuízo operacional de US$ 6,3 bilhões, e o segmento de foguetes apresentou prejuízo de US$ 657 milhões, influenciado pelos custos de desenvolvimento da Starship, que somou cerca de US$ 3 bilhões.

No resultado consolidado, a SpaceX teve US$ 18,7 bilhões em receita e reportou um prejuízo operacional de US$ 2,6 bilhões. Segundo Crapina, isso acontece porque grande parte do caixa da empresa é reinvestida no próprio negócio. Ele conta que, em 2025, a companhia teve geração de caixa operacional de US$ 6,8 bilhões e investiu US$ 20,7 bilhões, resultando em fluxo de caixa livre negativo de US$ 14 bilhões.

Grande parte destes investimentos foi para IA e foguetes. Dos US$ 20,7 bilhões de capex, US$ 12,7 bilhões couberam ao segmento de IA, contra US$ 4,2 bilhões em Conectividade e US$ 3,8 bilhões em Espaço, aponta Crapina.

“Ao desconsiderar os aportes em IA e no desenvolvimento de foguetes, a empresa hoje teria fluxo de caixa livre positivo. O próprio IPO serve, em parte, para recompor liquidez e sustentar o ritmo de investimento desses segmentos, sobretudo o de IA”, avalia Crapina.

Para Marcelo Cabral, gestor de investimentos e sócio fundador da Stratton Capital, a estratégia de reinvestir o lucro faz sentido porque a empresa aporta em áreas de enorme potencial e riscos financeiros elevados. Ele cita que no primeiro trimestre de 2026, por exemplo, a empresa gastou US$ 16,7 bilhões em investimentos, mas gerou apenas US$ 1 bilhão de caixa operacional. O déficit foi coberto, em partes, por captações no mercado. 

Vale a pena investir no IPO da SpaceX?

Mais do que a qualidade do negócio em si, o investidor deve ficar de olho no valuation, diz Praça. Isso significa avaliar se o preço das ações está alinhado com a expectativa do quanto a empresa irá gerar de caixa no futuro. 

“Quem investir no IPO estará apostando que a companhia continuará expandindo receitas, lucros e participação de mercado por muitos anos. O potencial de longo prazo é enorme, mas as expectativas também são extremamente elevadas, o que aumenta o risco de volatilidade caso os resultados não acompanhem o entusiasmo do mercado”, avalia Praça.

E, para avaliar a entrega destes resultados, é preciso também considerar os riscos. Crapina aponta que muitos dos empreendimentos da SpaceX ainda não foram comprovados.

“Historicamente, entrar em IPO não tem sido um bom negócio. O problema é que as empresas costumam abrir capital em momentos favoráveis de mercado, com valuations esticados, para captar o máximo de recursos. Mesmo que a empresa seja boa, pagar caro demais não costuma compensar. Afinal, preço importa e, diante disso, não vemos sentido em entrar na oferta”, avalia Crapina.

Segundo Cabral, outras empresas como Apple, Google, Amazon, Microsoft e demais gigantes do setor de tecnologia negociam a múltiplos muito inferiores. “São altamente rentáveis, têm baixo endividamento, e são líderes mundiais em segmentos altamente atrativos”, pondera.

Para Brandão, o investidor precisa olhar menos para o lucro de curto prazo e mais para a capacidade da empresa de criar ativos estratégicos de longo prazo. “Redes de satélites, data centers, infraestrutura computacional e projetos espaciais exigem investimentos bilionários, mas criam barreiras de entrada praticamente intransponíveis para concorrentes”, diz. “O desafio é justamente encontrar o equilíbrio entre crescimento acelerado e geração sustentável de caixa nos próximos anos”, afirma.

Como investir na SpaceX

Os investidores poderão entrar no IPO diretamente do Brasil por meio do BDR da SpaceX, que será lançado pela B3 também nesta sexta-feira. O investimento pode ser feito pelo broker da corretora pelo código SPCX34.

A B3 informou que não será necessário investir US$ 135 por ação – equivalente a R$ 675 – porque a estrutura do BDR terá paridade 1:15. Ou seja, cada ação da SpaceX será fracionada em 15 partes (15 BDRs) negociadas na B3. Com isso, a estimativa é que o preço de abertura fique entre R$ 50 e R$ 70.

O BDR é um tipo de investimento que representa ações no exterior. A sigla se refere a Brazilian Depositary Receipt e já é usada para outros tipos de empresas, como Apple, Microsoft, Amazon, Alphabet, Meta, Nvidia, Tesla, Netflix, Disney, Coca-Cola e McDonald’s, aponta a B3. Segundo a B3, até o final de abril, mais de 1 milhão de pessoas tinham BDRs em suas carteiras de investimentos.

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Fonte: Link da fonte

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