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Corte no Brasil e alta nos EUA: as expectativas para os juros com ‘superquarta’ nesta semana

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O Brasil deve reduzir os juros enquanto os Estados Unidos caminham na direção contrária na quarta-feira, 16. As decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil, e do Federal Open Market Committee (Fomc), do Federal Reserve, serão divulgadas no mesmo dia, em um evento conhecido como “superquarta”.

Cenário brasileiro: alívio com parcimônia

A expectativa do mercado financeiro para a Selic é de uma redução de 0,25 ponto percentual. Se a previsão se confirmar, a taxa básica brasileira passará dos atuais 14% para 13,75% ao ano. Será a quinta diminuição seguida de igual magnitude. O anúncio está previsto para aproximadamente 18h30 (horário de Brasília), após o fechamento do mercado. O cenário de inflação mais favorável contribui para a expectativa de continuidade do ciclo de cortes.

O IPCA registrou queda de 0,32% em agosto, segundo o IBGE. A retração foi influenciada principalmente pelo comportamento dos preços da energia elétrica residencial e o índice acumula avanço de 3,11% no ano e de 4,22% em 12 meses. O resultado também foi melhor do que a previsão dos economistas ouvidos pela agência Reuters, que esperavam recuo de 0,29%. Apesar do desempenho do índice, a expectativa é de que o Banco Central prossiga com parcimônia na redução dos juros. As projeções apontam para um corte de apenas 0,25 ponto percentual, em meio à persistência de expectativas de inflação desancoradas e às pressões fiscais sobre os preços.

Cenário americano: provável alta frente à inflação

Nos Estados Unidos, os sinais apontam para uma decisão de sentido oposto. O mercado financeiro atribui probabilidade próxima de 94% a uma elevação de 0,25 ponto percentual na taxa de juros por lá, conforme a plataforma FedWatch, do CME Group. Nesse caso, a taxa básica americana passaria do intervalo de 3,5% a 3,75% para uma faixa entre 3,75% e 4% ao ano. O Fomc deve anunciar sua decisão por volta das 15h (horário de Brasília), também na quarta-feira.

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A possibilidade de aperto monetário está relacionada ao comportamento recente da inflação americana. O CPI, índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos, avançou 0,4% em agosto. O núcleo do indicador, que exclui componentes mais voláteis, entre eles alimentos e energia, teve alta de 0,3%. A pressão sobre os preços também aparece no índice de preços ao produtor. Já o PPI, índice que mede os preços ao produtor, acumulou crescimento de 5,4% nos 12 meses até agosto, período em que houve recuperação dos custos relacionados aos produtos de energia.

Caso as duas decisões ocorram conforme as expectativas, a diferença entre as taxas de juros do Brasil e dos EUA diminuirá. Com os juros americanos mais próximos dos brasileiros, os investimentos de renda fixa nos Estados Unidos ganham atratividade relativa. Considerado isoladamente, esse movimento tende a beneficiar o dólar diante do real.

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