Os brasileiros se decidiram mais cedo sobre o voto em boa parte dos cargos em 2026. A parcela de eleitores que definiram as escolhas para governador, senador e deputado ao menos um mês antes cresceu em relação às últimas eleições gerais, mostra pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (9).
Na disputa presidencial, o movimento foi na mesma direção, mas mais discreto. A parcela dos que definiram o voto com antecedência oscilou para cima ante 2022, dentro da margem de erro.
Na disputa para governador, o índice passou de 63% para 69% desde 2022. Para senador, foi de 50% para 57%. Entre os que votaram para deputado federal, subiu de 50% para 55%, e para deputado estadual, de 49% para 55%.
Também caiu a fatia dos que deixaram a escolha para a véspera ou o dia da eleição. Para senador e deputado federal, foi de 25% para 20%, e para deputado estadual, de 26% para 21%. No caso dos governadores, oscilou de 17% a 14%,
Na comparação com 2018, o avanço é maior. Naquele ano, a decisão com um mês de antecedência era de 49% para governador, 42% para senador, 45% para deputado federal e 47% para deputado estadual.
Na disputa presidencial, 84% dizem ter escolhido o candidato pelo menos um mês antes do primeiro turno, ante 81% em 2022, oscilação dentro da margem de erro. Na véspera ou no dia, decidiram 8%, contra 10% há quatro anos.
O índice é o maior entre as quatro eleições comparadas pelo Datafolha para o cargo. O salto ocorreu em 2022. Em 2018, 63% haviam definido o voto para presidente com um mês de antecedência. Em 2014, eram 67%.
O Datafolha questinou em que momento os eleitores decidiram o voto em cada cargo, e os entrevistados responderam se escolha aconteceu pelo menos um mês antes, 15 dias antes, uma semana antes, na véspera ou no dia da eleição, no domingo (4).
O instituto ouviu 2.520 pessoas em 153 cidades nos dias 6 a 7 de outubro. O número de registro da pesquisa na Justiça Eleitoral é BR-02949/2026. A margem de erro geral é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, em levantamento contratado pela Folha e pela TV Globo.
No voto para presidente, nenhuma das demais faixas passou de 5% em 2026. A escolha ocorreu 15 dias antes para 5% e uma semana antes para 3%. Outros 3% definiram o candidato na véspera, e 5%, no próprio dia.
No caso dos governadores, o dia da votação concentrou 10% das decisões, mais que o dobro da véspera (4%). Outros 9% se decidiram 15 dias antes, e 7%, uma semana antes.
Na disputa pelo Senado, o dia da eleição foi o momento da escolha para 14%, a segunda maior fatia. Outros 11% decidiram 15 dias antes, o mesmo índice de uma semana antes, e 6%, na véspera.
Para deputado federal, as escolhas feitas 15 dias e uma semana antes empataram, com 12% cada. A véspera reuniu 7% das definições, e o dia da eleição, 13%.
Na escolha de deputado estadual, 12% optaram 15 dias antes, e 13%, uma semana antes. Como nas demais disputas, o dia da eleição pesou mais que a véspera, com 14% das decisões, ante 7%.
Lula e Flávio em 2026
Na pesquisa Datafolha antes do primeiro turno, divulgada em 1º de outubro, 82% se diziam totalmente decididos sobre o voto para presidente, e 17%, que ele ainda podia mudar. Em agosto, eram 72% e 27%.
Entre os eleitores de Lula, a taxa dos totalmente decididos variou de 82% para 88% no período. Entre os de Flávio, foi de 78% para 87%, e a parcela que admitia mudar saiu de 21% para 13%. A margem de erro para o recorte por candidatos é de 3 pontos percentuais.
Após o primeiro turno, 86% dos eleitores de Flávio definiram o voto com ao menos um mês de antecedência, mesmo índice registrado em 2022 entre os do pai, Jair Bolsonaro (PL). Na véspera ou no dia, decidiram 5%.
Os eleitores de Lula mostram convicção semelhante. Para 87% deles, a escolha ocorreu pelo menos um mês antes do primeiro turno, ante 83% em 2022. Outros 7% decidiram na véspera ou no próprio dia.
Entre os que votaram em Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante), somados, a escolha antecipada cai para 69%, de 17 a 18 pontos abaixo dos eleitores de Lula e Flávio.
Outros 9% dos eleitores dos demais candidatos decidiram 15 dias antes, e 9%, uma semana antes. A escolha na véspera ou no dia chegou a 13%, quase o dobro da registrada entre os eleitores de Lula (7%) e mais que o dobro da dos de Flávio (5%).
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