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Dólar e Bolsa hoje (16); acompanhe as cotações – 16/06/2026 – Economia

A Bolsa abriu em queda acentuada e o dólar estava em leve desvalorização nesta terça-feira (16), após EUA e Irã assinarem um acordo preliminar pelo fim da guerra, enquanto no Brasil investidores aguardam a divulgação de nova pesquisa eleitoral, além de acompanharem o primeiro dia de reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) para definição da taxa de juros.

Às 10h09, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, caía 0,59%, a 169,4 mil pontos, enquanto a moeda norte-americana estava em queda de 0,20%, cotada a R$ 5,0566, às 9h08.

Na segunda-feira (15), o dólar fechou em variação positiva de 0,05%, cotado a R$ 5,061, e a Bolsa caiu 0,41%, a 170.415 pontos.

O movimento aconteceu a despeito da euforia internacional sobre o acordo entre Estados Unidos e Irã pelo fim da guerra no Oriente Médio. Os dois países confirmaram que chegaram a um consenso e que a assinatura deve ocorrer já nesta semana.

Embora os ativos brasileiros tenham se valorizado no início das negociações, o início da tarde foi marcado por uma amornada generalizada no mercado. O motivo, segundo Pedro Henrique Carneiro Gonçalves, especialista da Valor Investimentos, se deve aos efeitos colaterais do cessar-fogo ao Brasil, relevante exportador de petróleo.

“Em um primeiro momento, o acordo entre EUA e Irã foi bem recebido pelos investidores, aumentando o apetite por risco e favorecendo Bolsas ao redor do mundo. Para o Brasil, porém, a relevância do petróleo na pauta exportadora pesa. A queda do petróleo piora os termos de troca na economia e impacta diretamente empresas de grande peso no índice, como a Petrobras”, afirma Gonçalves.

“Por isso, mesmo em um ambiente externo mais favorável, o Ibovespa devolveu boa parte dos ganhos e passou a operar próximo da estabilidade.”

As taxas dos DIs (Depósitos Interbancários), por outro lado, fecharam com baixas de mais de 0,10 ponto percentual em vários vencimentos, em sintonia com o recuo dos rendimentos das treasuries, títulos de renda fixa ligadas ao Tesouro dos Estados Unidos.

No fim do dia, a taxa para janeiro de 2028 estava em 14,35%, em baixa de 0,16 ponto ante o ajuste de 14,51% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa para janeiro de 2035 estava em 14,19%, com recuo de 0,07 ponto ante 14,26%. Foi o quarto recuo consecutivo das taxas de juros futuros no Brasil.

Em outras praças acionárias, o clima foi de euforia. Em Wall Street, os índices S&P500, Nasdaq Composite e Dow Jones avançaram 1,61%, 3,07% e 0,92%, respectivamente. Na Europa, o francês CAC avançou 0,4%, e o alemão DAX subiu 1,05%. O Euro STOXX600, referência do continente, teve ganhos de 0,2% e renovou a máxima histórica.

O Nikkei, do Japão, disparou 5% e também atingiu um novo recorde. O sul-coreano Kospi marcou alta de 5,2%.

O otimismo se deve, sobretudo, à perspectiva de normalização dos mercados de energia. Segundo autoridades norte-americanas ouvidas em condição de anonimato, Estados Unidos e Irã já assinaram um memorando de entendimento nesta segunda para pôr fim à guerra de quase quatro meses —e um dos itens acordados é a reabertura imediata do Estreito de Hormuz.

Canal que separa o Irã da Península Arábica, o estreito é um dos pontos de passagem mais estratégicos do comércio global. Seu bloqueio desencadeou uma crise de abastecimento que se espalhou pelos mercados de combustíveis, alimentos, fertilizantes e frete marítimo, trazendo impacto para a inflação e preços de combustíveis.

Como resultado, investidores passaram a antever ciclos de juros altos por mais tempo em algumas das principais economias do mundo, em especial nos Estados Unidos.

A perspectiva de juros elevados por lá é uma má notícia para investimentos globalmente. Como a economia norte-americana é a maior do mundo, a renda fixa —capitaneada pelas apelidadas “treasuries”, títulos do Tesouro dos EUA— é quase como um ativo livre de risco.

Quando os Fed Funds estão elevados, as treasuries sobem, e operadores retiram parte dos recursos aplicados em ativos mais arriscados, como os de mercados emergentes, para apostar no baixo risco e alto retorno.

Por isso, a expectativa de normalização do fluxo energético teve impacto imediato nos mercados. Os contratos futuros do petróleo Brent caíram cerca de 4% nas primeiras horas de negociações, enquanto o petróleo americano WTI registrou queda de 4,6%.

“Vale destacar, contudo, que a expectativa continua sendo de preços em níveis superiores aos observados antes do conflito”, diz Bruno Cordeiro, especialista de inteligência de mercado da Stonex.

“Isso porque os estoques globais permanecem apertados e há o entendimento de que a produção no Golfo Pérsico deverá aumentar de forma gradual ao longo dos próximos meses, com os países produtores da OPEP [Organização dos Países Exportadores de Petróleo] enfrentando limitações técnicas que dificultam uma expansão acelerada da extração da commodity.”

Investidores ainda se mantêm atentos à postura de Israel sobre o Hezbollah, grupo extremista libanês. Apesar do acordo de paz, o governo israelense afirmou que suas tropas permanecerão por tempo indeterminado nas áreas ocupadas do sul do Líbano. O entendimento foi duramente criticado por integrantes do governo de Binyamin Netanyahu e por líderes da oposição, que dizem que os termos não garantem a segurança do país.

O Líbano foi arrastado para a guerra quando o Hezbollah atacou Israel em apoio ao Irã. Tel Aviv lançou uma ofensiva contra o país vizinho e passou a ocupar o sul libanês, deslocando ao menos um milhão de pessoas.

O Irã reagiu. O ministro de Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, disse que o acordo assinado com Washington define o fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, assim como o respeito à sua soberania e integridade territorial.

A semana ainda guarda as decisões de juros do Brasil e dos Estados Unidos, em data apelidada de “super quarta”. A expectativa é de manutenção da taxa norte-americana e de corte de 0,25 ponto percentual na Selic, atualmente em 14,5% ao ano.

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