Durigan e Galípolo falam línguas diferentes, menos sobre o cartão

Dario Durigan e Gabriel Galípolo nem sempre enxergam a economia pela mesma lente. Nesta sexta-feira, na Expert XP, o ministro da Fazenda minimizou o efeito inflacionário das novas linhas de crédito do governo, enquanto o presidente do Banco Central voltou a defender juros restritivos por mais tempo. Quando o assunto passou para o cartão de crédito, porém, os dois falaram praticamente a mesma língua.

Durigan defendeu que os dados do Open Finance sejam usados para impedir a concessão de novos cartões a consumidores que já estejam inadimplentes ou excessivamente endividados. Na avaliação do ministro, uma instituição financeira não deveria oferecer mais crédito sem considerar a exposição total daquele cliente no sistema.

Galípolo foi além no diagnóstico e classificou como uma “jabuticaba” o modelo brasileiro, que combina parcelamento sem juros com compras consideradas “à vista no crédito”. Segundo o presidente do BC, Pix, bancos digitais e fintechs ampliaram a inclusão financeira, mas também levaram milhões de brasileiros diretamente para modalidades caras e sem garantia.

O resultado, nas palavras de Galípolo, é uma dívida que rapidamente “vira uma bola de neve”. Ele defendeu aproximar o funcionamento do cartão no Brasil das práticas internacionais, nas quais o custo do parcelamento aparece de forma mais explícita para o consumidor.

Não houve anúncio de uma medida conjunta ou de um cronograma de mudanças. A convergência, contudo, aproxima Fazenda e Banco Central em uma agenda delicada para bancos, bandeiras, maquininhas e varejistas: restringir a oferta indiscriminada de cartões e rever um modelo de parcelamento que se tornou central para o consumo brasileiro.

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