A economia verde —as linhas de negócios de empresas globais listadas em Bolsa que geram receita com soluções climáticas— agora ostenta um valor de mercado recorde de US$ 10 trilhões.
O aumento ocorre em um contexto de receita ligada a produtos e serviços ambientais, que atingiu US$ 5,5 trilhões no ano passado, expandindo-se no ritmo mais acelerado desde 2022, segundo relatório divulgado na semana passada pela LSEG (Bolsa de Valores de Londres).
Os investidores recompensaram esse crescimento: empresas que obtêm mais de 20% de sua receita com atividades verdes têm apresentado desempenho superior ao do mercado de ações em geral, afirmou a LSEG.
O índice S&P Global Clean Energy Transition subiu mais de 80% desde o final de 2024, mais que o dobro do retorno do S&P 500.
Apesar das crescentes tensões geopolíticas e do recuo das prioridades climáticas em algumas das principais economias, lideradas pelos Estados Unidos, as indústrias verdes têm demonstrado uma resiliência notável.
Isso se deve, em parte, ao fato de a transição energética estar entrando em uma nova fase, impulsionada tanto pela segurança e competitividade econômica quanto pela descarbonização, segundo a LSEG.
Para os investidores que perderam o interesse em ações verdes, o crescimento recente do setor deve criar “uma urgência em reavaliar” e repensar sua exposição, disse Jaakko Kooroshy, chefe global de pesquisa de investimentos sustentáveis da LSEG, em entrevista.
A LSEG define a economia verde como a proporção da receita das empresas gerada por soluções ambientais, que vão desde energias renováveis e água potável até eficiência energética e reciclagem. A empresa avaliou a exposição da receita a atividades comerciais verdes de mais de 21 mil empresas em todo o mundo.
O crescimento da receita foi generalizado no último ano, com 99 das 133 categorias de produtos e serviços verdes registrando ganhos. Veículos elétricos e as chamadas baterias avançadas foram “um destaque particularmente positivo”, adicionando US$ 62 bilhões à receita, afirmou a LSEG.
Folha Mercado
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A LSEG também analisou fusões e aquisições, que, segundo a organização, estão “se tornando um mecanismo cada vez mais crucial para acelerar a transição para uma economia de baixo carbono”. Fusões e aquisições relacionadas a energias verdes totalizaram US$ 4,1 trilhões na última década, representando quase 13% do valor total das transações globais, de acordo com a LSEG.
As negociações continuaram neste ano, lideradas pelo acordo da NextEra Energy para pagar cerca de US$ 67 bilhões em ações pela Dominion Energy.
A transação proposta criaria “um dos maiores gigantes da energia verde na América do Norte”, disse Kooroshy. “Não é uma empresa focada exclusivamente em energia verde, mas é uma enorme empresa de energia verde que está se formando.”
A LSEG afirmou que, juntas, a NextEra e a Dominion gerariam mais de US$ 15,9 bilhões em receitas relacionadas a energia verde, provenientes de fontes eólicas, solares, nucleares e de armazenamento em baterias. Isso representaria cerca de 36% da receita total da empresa combinada.
Mesmo com uma política que “mudou o foco para a produção doméstica de petróleo e gás”, os EUA continuam sendo a maior economia verde em capitalização de mercado, representando 57% do total global, afirmou a LSEG.
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