EON vende 1 milhão de tokens e monta operação global em torno de esmeralda de US$ 650 mi

A EON Emerald já vendeu 1 milhão de tokens em uma rodada privada de testes e prepara agora uma emissão de 15 milhões de unidades para financiar o desenvolvimento de um negócio internacional construído em torno de uma formação de esmeralda de mais de 500 quilos encontrada na Bahia.

A peça, avaliada pela empresa em US$ 650 milhões, será o centro de um circuito de exposições imersivas que pretende passar por grandes cidades internacionais. A estratégia prevê ganhar dinheiro com ingressos, patrocínios, naming rights, licenciamento e outras receitas associadas à marca e à exposição da formação mineral.

“O nosso negócio não é nem o token em si. O nosso negócio são as exposições”, disse Paulo De Carli, fundador e CEO da EON Emerald, em entrevista ao Radar Econômico. Segundo ele, a companhia projeta receber entre 3 milhões e 5 milhões de visitantes ao longo dos próximos cinco anos.

A tokenização funciona como uma das fontes de capital para colocar a operação de pé. A primeira etapa prevê a comercialização de 15 milhões de tokens em quatro séries, com preços que começam em US$ 0,35 e avançam posteriormente para US$ 0,50, US$ 0,75 e US$ 1. Antes da abertura formal da primeira série, a empresa realizou um teste privado e, segundo De Carli, vendeu 1 milhão de unidades sem campanha de divulgação.

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A estrutura desenhada pela EON prevê que 10% da receita bruta obtida com a exploração comercial do projeto seja destinada a um pool de liquidez ligado aos tokens. Quando uma unidade é resgatada diretamente nesse fundo, ela é retirada de circulação. A empresa aposta na combinação entre geração de receitas e redução gradual da quantidade de tokens para sustentar seu valor ao longo do tempo.

“Você cria um processo de valorização a partir da escassez”, afirmou De Carli. Segundo ele, a intenção é vincular a dinâmica do ativo digital ao desempenho econômico das exposições e demais negócios desenvolvidos em torno da esmeralda, e não simplesmente à especulação sobre o token.

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A companhia também está estruturando uma governança internacional para o projeto. A formação mineral foi levada à Europa e, segundo De Carli, integralizada como capital de uma companhia em Luxemburgo após passar pelos procedimentos de exportação no Brasil e de entrada na Europa.

O plano inclui a montagem de um conselho que busca separar os interesses dos sócios ligados originalmente à mineração daqueles responsáveis pela exploração comercial do ativo. Felício, um dos integrantes do conselho da EON, afirmou que uma das principais funções da estrutura de governança será justamente manter alinhados esses dois grupos de acionistas.

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A empresa também pretende adotar padrões de gestão normalmente encontrados em companhias maiores. De Carli disse que está sendo preparado um balanço de abertura da operação em Luxemburgo com participação da PwC e que a intenção é contratar uma auditoria internacional. A EON afirma ainda ter contratado o Ferrari Group para serviços ligados à custódia, segurança e transporte internacional da formação mineral.

“Um dos fatores do nosso sucesso chama-se credibilidade”, afirmou De Carli. Segundo ele, a combinação de um ativo incomum com tokenização exige uma estrutura de governança capaz de reduzir dúvidas sobre a operação. “Nós estamos querendo introduzir o mais alto nível de governança e de gestão dentro do empreendimento.”

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A tese empresarial da EON é preservar a esmeralda inteira em vez de fragmentá-la e vender seus cristais ao mercado joalheiro. O grupo pretende fazer com que o conjunto de receitas criado ao redor da peça ganhe, com o tempo, valor comparável ao próprio ativo mineral.

“Percebemos que temos aqui um negócio que vale mais do que ela”, disse De Carli. “Essa pedra, na verdade, pode no final ser doada, porque o valor gerado de recursos num horizonte de cinco ou dez anos é o valor equivalente ao que ela poderia alcançar num eventual leilão internacional.”

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A próxima etapa do projeto é o início do circuito internacional de exposições. Mônaco aparece nos planos da companhia como primeiro destino, antes de uma passagem por outros centros globais. No material institucional, a EON cita ainda cidades como Londres, Dubai, Nova York, Singapura, Paris e Hong Kong, ressaltando que locais e datas dependem da conclusão das negociações.

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