Henry Ford, o engenheiro de Michigan que fundou a Ford Motor Company em 1903, entrou para a história como o homem que transformou os automóveis em um bem de consumo acessível, com o lançamento em 1908 do lendário modelo Ford-T, e por ter revolucionado a indústria mundial ao implementar a ideia de linhas de montagem em suas fábricas. Essas, porém, são apenas as mais famosas de suas invenções.
Em sua lista de inovações, pode ser incluída também a criação do fim de semana como o mundo o conhece hoje. Ford foi o primeiro empresário a implementar em larga escala, em suas fábricas nos Estados Unidos, a jornada de trabalho de 40 horas semanais e distribuí-las em cinco, em vez de seis dias de expediente, com os dois dias de descanso que hoje são o padrão entre os norte-americanos. O novo regime passou a valer para seus mais de seus 55.000 funcionários em 1 de maio de 1926, data que completa 100 anos neste mês.
O padrão internacional à época, recomendado pela Organização Internacional do Trabalho desde a sua primeira convenção, em 1919, era de 48 horas semanais. Foi este mesmo documento que criou a referência das 8 horas diárias máximas, após uma sucessão de anos turbulentos e greves violentas em todo o mundo.
Quando a semana de 40 horas foi inaugurada voluntariamente pela Ford, pouco depois disso, a companhia já era presidida, desde 1918, por Edsel, filho de Henry. O Ford-pai, contudo, nunca deixou de participar do dia a dia e dos processos decisórios da empresa. O fundador, inclusive, reassumiria o comando do grupo em 1943, quando Edsel, que era seu único filho, faleceu aos 49 anos, em decorrência de um câncer no estômago.
“O país está pronto para a semana de cinco dias”, disse Henry Ford no discurso de 1926 em que anunciou a expansão do 5×2 para todo o seu parque fabril. “É algo que certamente deve se espalhar por toda a indústria. (…) Já é hora de nos livrarmos da noção de que o lazer para os trabalhadores é ‘tempo perdido’ ou um privilégio de classe.”
A jornada de trabalho semanal só voltaria a ser reduzida nos Estados Unidos, para 44 horas, em 1938, pela Lei de Normas Justas de Trabalho, a FLSA, a principal legislação trabalhista do país editada pela primeira vez naquele ano pelo presidente Franklin Roosevelt, em meio à sua agenda de reação aos efeitos da grande depressão de 1929. Em 1940 – dezesseis anos depois de Henry Ford -, uma emenda alteraria a legislação e implementaria para todo o país a jornada máxima 40 horas semanais, que vale até hoje para os trabalhadores americanos.
Ganhos de produtividade
Foi também por decisão de Henry Ford que, ainda em 1914, a montadora chacoalhou o mercado ao anunciar que dobraria o piso salarial de seus colaboradores, para 5 dólares por dia, também o dobro do que a indústria americana pagava em média à época. As informações fazem parte dos conteúdos históricos das páginas da Ford e também do The Henry Ford Museum, instalado em Dearborn, distrito vizinho de Detroit, em Michigan, onde a Ford nasceu e cresceu.
Por trás dos benefícios distribuídos por Ford aos seus colaboradores, estava um ganho de produtividade contínuo e exponencial. De acordo com a fundação The Henry Ford, a adoção das linhas de montagem e dos processos de produção em massa, a partir de 1913, reduziu o tempo necessário para montar um Ford-T de 12 horas para apenas 93 minutos, ou 1h30. Quer dizer: com o tempo em que, antes, era feito um veículo, passaram a ser feitos quase oito (7,7 pelas mesmas 12 horas, mais precisamente).
“Foi a ascensão das grandes corporações, com sua habilidade de usar o poder, de usar maquinário de ponta e de, de maneira geral, reduzir os desperdícios de tempo, material e energia humano o que permitiu implementar a jornada de 8 horas diárias”, acrescentou Ford em sua declaração de 1926. “Novos progressos nessa mesma linha são o que tornam possível trazer também a semana de cinco dias.”
No Brasil, a jornada máxima permitida é de 44 horas semanais, com a garantia de um descanso semanal. Os projetos que propõem reduzir esses parâmetros estão tramitando atualmente no Congresso – a promessa do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, é votá-los na Casa ainda neste mês. Caso aprovado, o texto ainda precisa passar pelo Senado. A versão mais atual do projeto limita a jornada a 40 horas semanais e veda o chamado “6×1”, instituindo o descanso obrigatório de dois dias por semana.
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