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Estreito de Hormuz pode não voltar ao normal; entenda – 22/04/2026 – Economia

Mesmo que o estreito de Hormuz seja reaberto, executivos e analistas do setor energético afirmam que a indústria não poderá mais contar com ele como antes. A percepção é que não há como o estreito voltar ao normal.

Países de toda a região estão explorando a construção, expansão ou reabilitação de infraestrutura que contorne o local. E as nações que importam combustível da região estão correndo para garantir petróleo e gás de outros lugares, implementando medidas de conservação e recorrendo a alternativas como o carvão.

É provável que essas estratégias mudem com o tempo. O uso atual de carvão pode dar lugar a maiores investimentos em energia solar e nuclear, por exemplo. Independentemente do que aconteça a seguir, o Irã não se esquecerá de como é fácil bloquear a navegação pelo estreito, o que significa que as empresas de energia e os consumidores devem se preparar para um futuro muito diferente.

“A partir do momento em que os mísseis começaram a cair e os drones a atacar, ficou muito claro que não íamos recuar”, disse Badr Jafar, empresário e enviado especial para negócios e filantropia dos Emirados Árabes Unidos.

Para conter a atual crise energética, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos redirecionaram uma parcela substancial do petróleo que produzem para portos distantes do estreito de Hormuz, por meio de oleodutos construídos anos atrás em preparação para uma crise.

O Iraque também começou recentemente a enviar uma pequena quantidade de petróleo para a Turquia por meio de um oleoduto que tem apresentado oscilações de operação ao longo dos anos devido a conflitos políticos e armados.

De acordo com a AIE (Agência Internacional de Energia), mais de 7 milhões de barris de petróleo estão sendo enviados diariamente do golfo Pérsico por uma dessas rotas, um aumento significativo em relação aos menos de 4 milhões de barris por dia antes da guerra.

Mas isso representa uma fração dos 20 milhões de barris de petróleo que passavam diariamente pelo estreito antes da guerra. E os oleodutos não têm utilidade para países geograficamente isolados como o Kuwait e o Catar. Também são pouco úteis para o transporte de alumínio, fertilizantes e outras mercadorias.

Por essas razões, sem mencionar os objetivos geopolíticos, a reabertura do estreito continua sendo muito importante. A centralidade do estreito é o motivo pelo qual os preços internacionais do petróleo despencaram 9% na sexta-feira (17), atingindo seus níveis mais baixos desde a segunda semana da guerra, depois que o ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou que o estreito estaria “completamente aberto”.

Mas o Irã mudou de ideia no dia seguinte, depois que o presidente Donald Trump deixou claro que as forças americanas continuariam bloqueando as embarcações que viajavam de e para portos iranianos. Os Estados Unidos apreenderam posteriormente um navio cargueiro com bandeira iraniana que, segundo Trump, tentou contornar o bloqueio americano.

Essa troca de acusações reforçou a ideia de que a livre passagem pelo estreito pode ser interrompida por qualquer potência mundial determinada a fazê-lo.

“O estreito de Hormuz será menos importante em 2030 ou 2035 do que era em janeiro”, disse Elliott Abrams, que atuou como representante especial para o Irã e a Venezuela durante o primeiro mandato de Trump. “As pessoas encontrarão alternativas.”

Algumas opções mais simples incluem a expansão de oleodutos, capacidade de armazenamento e portos existentes na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos. Mas isso resolveria apenas parte do problema. A maioria dos países do golfo Pérsico não tem a vantagem de ter acesso a outra costa que fique fora do estreito.

O Iraque, que está entre os países sem outro litoral, cogitou a construção de um novo oleoduto até o mar Mediterrâneo, passando pela Síria.

Conflitos políticos frequentemente impediram projetos transfronteiriços desse tipo no passado. Um gasoduto ligando o Iraque ao Mar Vermelho, passando pela Arábia Saudita, foi construído na década de 1980. Mas a Arábia Saudita o desativou em 1990, após a invasão do Kuwait por Saddam Hussein, o líder iraquiano.

Agora, com poucas alternativas viáveis, o Iraque foi forçado no mês passado a interromper a produção de cerca de 3 milhões de barris de petróleo por dia, de acordo com a AIE (Agência Internacional de Energia).

“Você pode desenhar linhas belíssimas no mapa”, disse Robin Mills, CEO da Qamar Energy, uma empresa de consultoria sediada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. “Tentar fazer isso acontecer na realidade é outra história.”

Jafar expressou otimismo de que a guerra pudesse inspirar o tipo de cooperação regional que antes se mostrava difícil de alcançar.

“Nada como um senso de urgência e um imperativo para nos desvencilharmos desse gargalo para que vejamos esse tipo de coisa se concretizando”, disse Jafar. “Não é impossível, longe disso.”

Esse tipo de infraestrutura provavelmente custaria bilhões de dólares — e potencialmente dezenas de bilhões para projetos maiores. Dito isso, crises como a que o mundo está vivenciando também são caras.

“Um ou dois meses de interrupção como essa já se pagam”, disse Mills, referindo-se a projetos menores, como a expansão de alternativas já existentes.

É claro que nenhuma alternativa seria infalível, como o Irã demonstrou ao atacar instalações energéticas em toda a região. Mas ter mais opções torna mais difícil para os países interromperem o fornecimento de energia da região.

Os importadores de energia também estão se mobilizando rapidamente para diversificar suas fontes de energia, reduzindo a dependência do Golfo Pérsico, seja comprando mais combustível dos Estados Unidos ou planejando a reativação de usinas nucleares.

Essas tendências provavelmente serão duradouras, segundo especialistas em energia. Elas podem dar vantagem aos produtores de petróleo e gás que não estão sujeitos aos gargalos marítimos e acelerar a transição para longe do petróleo e do gás.

Mas reformular as rotas de comercialização de energia para priorizar a resiliência —em vez da eficiência— será caro. Esses investimentos levarão tempo e provavelmente aumentarão os preços da energia para os consumidores, afirmou Spencer Dale, que até recentemente era o economista-chefe da petrolífera BP, com sede em Londres, na Inglaterra.

“O mundo está agora mais incerto e mais vulnerável do que antes”, disse Dale, atualmente professor visitante na London School of Economics and Political Science.

A resposta racional é compensar isso tornando o sistema energético mais resiliente às turbulências geopolíticas, afirmou. “Mas tudo isso tem um custo.”

Fonte: Link da fonte

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