Sem pedir desculpas, o ex-primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy ironizou, em uma nova coluna, a “atenção” dedicada ao seu comentário sobre a seleção francesa de futebol “sem franceses”, que foi considerado racista tanto na França como pelo governo da Espanha.
Sem mencionar suas palavras sobre a seleção da França –”um elenco de altíssimo nível, sem franceses”– em sua coluna publicada na sexta-feira (10) sobre a Copa do Mundo no jornal digital El Debate, o conservador (primeiro-ministro de 2011a 2018) desta vez fez, “de maneira especial, um agradecimento às autoridades pela atenção que me dedicaram nesta Copa do Mundo”.
“A pena é que tantos esforços dedicados a glosar as minhas virtudes os tenham distraído de outras questões […] que importam aos espanhóis”, escreveu Rajoy com a sua conhecida ironia, em uma crítica velada ao governo do socialista Pedro Sánchez, sem maioria no Parlamento e enfraquecido por escândalos de corrupção.
A nova coluna de Rajoy, publicada na noite de terça-feira, comentava a vitória da Espanha por 2 a 0 sobre a França na semifinal da Copa do Mundo.
“Lhes interessa mais denunciar um ministro estrangeiro ou fazer reverência a um primeiro-ministro para provocar ruído, desviar a atenção, criar alvoroço, e tudo isso para que não se fale do que estamos vivendo”, insistiu Rajoy.
A última frase é uma referência a Sánchez, que atacou Rajoy por suas “declarações xenófobas” e, na terça-feira, em Paris, afirmou estar “muito envergonhado” durante uma conversa com o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, nos atos comemorativos da Festa Nacional da França.
Também de forma indireta, Rajoy descartou a possibilidade de pedir desculpas, como havia exigido o governo de Sánchez: “Eles não pedem perdão por nada. Isso, pelo visto, sempre cabe aos outros. Vocês já sabem como eu sou e o que penso”.
As palavras de Rajoy, destituído do poder em 2018 por meio de uma moção de censura liderada por Sánchez, desencadearam uma tempestade na França, onde vários ministros e políticos de todo o espectro criticaram o que chamaram de “racismo e seu ódio”.
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