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Fertilizantes nitrogenados caem 50% no Oriente – 20/06/2026 – Economia

Os preços dos fertilizantes nitrogenados despencaram em relação às máximas históricas registradas durante a guerra com o Irã, mesmo antes de os navios começarem a circular livremente pelo estreito de Hormuz. Os operadores apostam cada vez mais que o pior do choque de oferta no Oriente Médio já passou.

Os preços de referência da ureia no Oriente Médio caíram cerca de 50%, passando do pico de US$ 918 por tonelada em abril para US$ 475 por tonelada, de acordo com a consultoria de commodities Argus. O recuo trouxe os valores de volta aos níveis de antes da guerra, apesar das contínuas interrupções no comércio por uma das rotas de exportação mais importantes do mundo.

Nem todos os preços de fertilizantes caíram, contudo. Os fosfatados continuam escassos devido a uma alta sustentada no preço do enxofre.

Cerca de 50% da produção global de alimentos depende de fertilizantes nitrogenados artificiais, dos quais a ureia é o mais amplamente utilizado.

A queda nos preços da ureia começou antes mesmo que um acordo de paz entre EUA e Irã elevasse as expectativas de retomada das exportações no Golfo. Os preços recuaram à medida que os operadores se concentraram na demanda sazonal fraca e na perspectiva de retomada das exportações chinesas.

A ureia “foi o produto que subiu mais rápido e de forma mais acentuada após o fechamento do estreito de Hormuz, e caiu mais rápido e abruptamente antes mesmo da reabertura do estreito”, disse Sarah Marlow, chefe de precificação de fertilizantes da Argus.

Um dos motivos para a queda dos preços foi o recuo na demanda, apontou Máximo Torero, economista-chefe da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), acrescentando que “uma demanda menor não é uma boa notícia”.

Muitos agricultores no Hemisfério Norte foram forçados a comprar quando os preços estavam altos, explicou ele, o que significa que provavelmente aplicaram menos fertilizante. Isso “pode resultar em produtividades menores” na próxima colheita, com um efeito cascata nos preços dos alimentos, segundo Torero. Mesmo com a recente queda nos preços dos nitrogenados, ele acrescentou, “o estrago já está feito”.

Outros analistas também acreditam que os produtores recuaram diante dos custos exorbitantes. Os preços dos fertilizantes dispararam durante o conflito enquanto os preços das culturas agrícolas permaneceram contidos, espremendo as margens e forçando os agricultores a avaliarem com mais rigor os gastos com nutrientes.

“Uma de nossas teorias de trabalho é que os agricultores globais finalmente reagiram e disseram: ‘o preço está alto demais; vou reduzir minha aplicação de nitrogênio'”, disse Josh Linville, vice-presidente de fertilizantes da corretora StoneX. Os agricultores provavelmente cortaram o uso de nitrogenados em apenas cerca de 5%, acrescentou, “mas quando você pensa nisso em escala global, trata-se de um volume massivo de toneladas, e acho que isso ajudou a reequilibrar a oferta e a demanda”.

Além de usarem menos fertilizantes, alguns agricultores provavelmente migraram para culturas que exigem menos nutrientes. “As pessoas tomaram decisões de plantar certas culturas em detrimento de outras, então o impacto na produtividade será visível em três a quatro meses”, disse Alzbeta Klein, chefe da Associação Internacional de Fertilizantes (IFA). “O fato de a ureia hoje estar mais barata do que antes da guerra não faz diferença para a colheita que teremos.”

Alguns analistas, porém, argumentam que o momento do conflito limitou a extensão da destruição da demanda, porque grande parte do Hemisfério Norte já havia garantido seus estoques de fertilizantes antes de o comércio pelo estreito ser interrompido. Enquanto isso, os grandes compradores do Hemisfério Sul ainda não haviam começado as compras para a próxima temporada de plantio.

“Como os preços dispararam imediatamente após o conflito, [os fertilizantes] enfrentaram uma falta de demanda, fundamentalmente”, disse Willis Thomas, chefe de fertilizantes do grupo de pesquisa de commodities CRU. “A maior parte do Hemisfério Norte já tinha o fertilizante em seus armazéns, e o Hemisfério Sul não havia começado a comprar para suas safras.”

A perspectiva do retorno das exportações de fertilizantes da China ao mercado ajudou a derrubar os preços de seu pico. A China, um dos maiores produtores de ureia do mundo, disse no mês passado que as exportações seriam retomadas a partir de 1º de junho, aliviando as preocupações com a oferta global. “O mercado viu isso, sabia que estava por vir e começou a dizer: ‘Ok, a pior parte disso passou'”, disse Linville.

No entanto, embora os operadores tenham praticamente eliminado o prêmio de guerra dos preços da ureia, o mercado físico continua longe do normal. “O mercado segue bastante apertado, com volumes significativos no Oriente Médio ainda ausentes”, disse Thomas.

Mesmo quando as embarcações voltarem a circular, semanas de interrupção deixaram navios e cargas fora de posição. A expectativa é que o demorado reposicionamento das embarcações crie atrasos nos embarques e prolongue a volatilidade. “Levará tempo para os produtores recomporem os estoques e retornarem aos ritmos operacionais de antes da guerra”, afirmou Marlow.

Quase 900.000 toneladas de ureia permanecem em armazenamento flutuante (em navios) no Golfo, de acordo com o CRU —grande parte já vendida, mas aguardando para chegar aos clientes.

A desconexão entre os mercados físico e financeiro pode ajudar a explicar a velocidade da liquidação. Embora os operadores tenham precificado uma eventual volta aos fluxos comerciais normais, os compradores continuam relutantes em se comprometer.

“À medida que os preços caem, os compradores vão esperar até que o piso seja atingido antes de retornar ao mercado”, disse Marlow, atrasando a retomada dos níveis normais de consumo.

Se por um lado os preços da ureia despencaram, os fertilizantes fosfatados continuam reféns da escassez de enxofre, um subproduto do refino de petróleo essencial para a sua produção. Antes do conflito, cerca de 50% do comércio global de enxofre passava pelo estreito de Hormuz.

“É o enxofre que permanece em situação crítica, tanto em termos de disponibilidade quanto de preço”, disse Marlow. De acordo com a Argus, os preços do enxofre entregue mais do que dobraram desde o início do conflito, subindo 110% na China e 133% nos mercados do Mediterrâneo.

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