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A nova Supergirl chega aos cinemas em 2026, com Milly Alcock no papel de uma heroína temperamental, imperfeita e hedonista. Inspirado na HQ “Mulher do Amanhã” e dirigido por Craig Gillespie, o filme explora a “fúria feminina” e redefine a personagem, afastando-se dos clichês e abraçando suas falhas em uma aventura galáctica.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Prima de Clark Kent — o jornalista alienígena que, vez e outra, sai por aí ajudando terráqueos indefesos com o uniforme do Superman —, a jovem Kara Zor-El em nada se parece com o parente exemplar. Ao menos não na nova versão da heroína apresentada pelo filme Supergirl (Estados Unidos, 2026), que chega aos cinemas na quinta-feira 25, com a atriz Milly Alcock vestindo o inconfundível collant vermelho e azul. Com cabelo desgrenhado e uma camiseta surrada, ela viaja entre planetas regidos por sóis vermelhos por um motivo juvenil: longe da luz amarela, como a que ilumina a Terra, ela não tem superpoderes, logo, pode beber até cair. Distante do código moral da Mulher-Maravilha ou da disciplina militar da Capitã Marvel, a heroína aqui é temperamental, imperfeita, descolada e afoga as mágoas ora por diversão, ora como forma de aplacar a perda dos pais e a destruição de seu planeta natal. Sua única companhia é o cachorro Krypto, que compartilha com ela a mesma energia caótica — como foi visto no filme Superman (2025), no qual o pet atrapalhado, mas adorável, estava sob os cuidados do herói.
Para o diretor Craig Gillespie, foi impossível não se interessar imediatamente pelas falhas da personagem, características que costumam ser reservadas ao gênero masculino. “Normalmente, esse privilégio é do Wolverine ou do Homem de Ferro”, disse ele a VEJA (leia a entrevista abaixo). A fonte de inspiração é a conceituada história em quadrinhos Mulher do Amanhã (2021-2022) — ilustrada pela brasileira Bilquis Evely. O enredo mostra o estilo de vida hedonista de Kara sendo interrompido pelo suplício da adolescente Ruthye (Eve Ridley), em busca de ajuda para matar o bandido que assassinou toda a sua família, Krem (Matthias Schoenaerts). Indiferente à garota, Supergirl é obrigada a entrar na briga quando o vilão envenena Krypto e foge com o antídoto. A dupla, então, parte em uma excêntrica perseguição pelo espaço — com direito a queda de braço com ETs e amizades improváveis, entre elas com o perigoso Lobo (Jason Momoa), um motoqueiro de outro mundo que aniquilou a própria espécie.
O cenário é muito diferente de 1984, quando a personagem ganhou uma adaptação cinematográfica vexaminosa, na qual é uma garota avoada em conflito com uma bruxa, disputando o amor de um galã — trama mais para Branca de Neve do que para heroína destemida. Enquanto aquela versão foi idealizada por homens, a nova estreia conta com roteiro da americana filha de pai brasileiro Ana Nogueira. O texto, agora, dá a Kara um lugar no crescente filão apelidado de female rage (“fúria feminina”). Antes um insulto atrelado especialmente a roqueiras, de Debbie Harry a Courtney Love, a expressão foi reapropriada para valorizar histórias de mulheres avessas à etiqueta e predispostas a extravasar. Não à toa, Gillespie foi a escolha ideal para a direção: são dele os ótimos filmes Eu, Tonya (2017), sobre a patinadora indomável Tonya Harding, e Cruella (2021), focado na vilã pop.

Milly Alcock, 26 anos, demonstrou os dotes necessários para o papel quando viveu a ambiciosa Rhaenyra Targaryen, no início de A Casa do Dragão, uma princesa capaz de matar um javali com uma adaga. Já o traquejo fanfarrão se revelou no palco do Globo de Ouro 2023, quando teve um ataque de riso abastecido pelos drinques do evento. Mais importante, claro, são suas habilidades dramáticas: a atriz aprofunda a jornada emocional da personagem, obrigada a confrontar seus próprios traumas ao perceber, em Ruthye, o quanto o desejo de vingança pode ser corrosivo. Mesmo rebelde, essa mochileira da galáxia tem, no fundo, um bom coração.
“Uma bagunça ambulante”
Defensor de mulheres moralmente ambíguas na ficção, Craig Gillespie assumiu o desafio de levar um novo tipo de heroína às telas.

Como avalia a diferença entre esse projeto e as super-heroínas do passado? Tudo sobre essa versão da personagem é contracultural. Fico feliz que ela não seja sexualizada, nem tenha cabelo feito ou maquiagem na cara. Ela é uma bagunça ambulante, não tem pretensões, nem nada a provar. Só quer ficar sozinha e tomar as rédeas da própria vida.
Esse comportamento remete a outros filmes seus. Por que se interessa por mulheres espinhosas? Elas são azaronas à margem da sociedade. Supergirl toma decisões das quais se pode discordar, mas ainda quero que as pessoas sintam empatia por ela. Além disso, é raro ver uma super-heroína imperfeita. Normalmente, esse privilégio é do Wolverine ou do Homem de Ferro.
Por que Millie Alcock era certa para o papel? Gostei da ideia de ter um rosto novo, sem ideias já formadas pelo público. Ela também consegue ir do drama à comédia sem esforço e é naturalmente descolada.
Publicado em VEJA de 19 de junho de 2026, edição nº 3000
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