Envolto em expectativas devido ao histórico bem-sucedido da apresentadora, o programa de Eliana Michaelichen estreou na TV Globo com uma aura de solução para as dificuldades de longo prazo da emissora no início das tardes de domingo. No entanto, o Em Família com Eliana está longe de confirmar as esperanças iniciais, uma vez que sofre para segurar a audiência que vem dos filmes da Temperatura Máxima, com muitos deixando o canal quando a atração da loira começa.
No domingo, 2, o programa conseguiu perder, pela primeira vez, a liderança da audiência na Grande São Paulo para o Domingo Legal, do SBT. Por oito minutos, a atração comandada por Celso Portiolli tomou a dianteira na Região Metropolitana mais populosa do brasil – com direito a alfinetada do apresentador rival, que declarou: “amanhã não vai ser um dia fácil”, uma fala que foi interpretada por muitos como uma indireta a ex-companheira de emissora.
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O episódio representou o ponto mais baixo de uma crise envolvendo o Em Família que se desenrola há meses, desde sua estreia. Embebido de uma aura excessivamente familiar, o programa de Eliana tem sofrido para manter sua audiência. Os principais comentários apontam que a atração não se parece em nada com os formatos vistos na Globo, assemelhando-se muito mais a uma produção do SBT ou da Record.
Adotando um estilo clássico de programa de auditório, o Em Família inclui provas supostamente divertidas e visitas a casas de famosos — que, nos dias de hoje, todos conseguem ver pelas redes sociais. Zero novidade. Para piorar, os papos não acrescentam nem engajam. No geral, a atração parece mais com programas apresentados pela própria Eliana em décadas passadas, como se fosse um recorde da TV trazido diretamente de 2010 para 2026.
Há duas semanas, por exemplo, a atração musical principal foi… gospel. Mais TV Record, impossível. O conservadorismo na roupagem da atração afugenta quem estava familiarizado (com o perdão do trocadilho) com uma pegada mais ousada nas pautas e abordagens da emissora, que pudessem criar empatia e novas discussões. Do jeito que está, não atrai quem já sintonia na concorrência e ainda desagrada quem por ali permanecia.
Nas redes sociais, espectadores não escondem insatisfação ao criticar a condução da atração. “É um programa brega, forçado e sem graça. Eliana merecia mais”, apontou um usuário no X, ao compartilhar um trecho do Em Família em que a loira recebe Otaviano Costa e Flávia Alessandra. “Para mim, o pior de tudo são as histórias de superação”, aponta outro, citando um clima de “positividade tóxica”. Uma terceira pessoa ainda aponta um equívoco de Eliana na gestão de carreira: “Ela ter saído do SBT foi um erro”.
O difícil será corrigir esta trajetória ladeira abaixo. É que o problema maior nem é só o formato do trem, mas a própria maquinista. Eliana não perdeu a “aura” de SBT/Record, segue sendo vista pelo público como uma pessoa deslocada na telinha global. E isso é muito difícil de se corrigir a curto prazo.
Sem atenção devida do público ou qualquer respaldo nos números, fica difícil defender a atração de Eliana. Caso o programa siga nesse caminho, será o segundo fracasso da loira desde que desembarcou no Projac, com o pífio desempenho do The Masked Singer em 2025 sendo seu primeiro revés. Seu trem desgovernado está fadado a um fim melancólico.
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