Globo patina atrás do público digital na Copa do Mundo – 29/06/2026 – Esporte

Esqueça as análises e estatísticas, esqueça as intrincadas contas para determinar confrontos com terceiros colocados (nem a Fifa entende), esqueça os recordes diários.

Nada disso faz muita diferença na intensa busca pela audiência de um público cada vez mais jovem e digital.

E, nesta Copa do Mundo, não é a Globo que tem concorrentes no seu pé. Ela é que está correndo atrás de rivais digitais, principalmente na figura da CazéTV.

Para ser “cool”, os diferentes canais do grupo Globo estão fazendo de tudo.

Em um dia, uma repórter vai ao México para interagir com mariachis (o que não é exatamente o top 10 da originalidade); no outro, apresentadores e comentaristas tentam imitar no estúdio a comemoração surfista de Matheus Cunha; na TV aberta, uma enquete é lançada para perguntar ao espectador qual seu parente preferido da Copa: Vozinha, papai, tiozão ou mãinha.

No entanto, pelo menos nas redes sociais, o tiro parece ter saído pela culatra.

Toda tentativa de fazer graça em qualquer tentáculo da emissora é devidamente gongado ou ridicularizado por parte dos internautas.

Normalmente as críticas são no mesmo tom, e sempre com a comparação. “Olha a Globo tentando fazer graça como a CazéTV”, ou “a Globo não consegue ser engraçada para a geração mais nova e ficou boba para a mais velha”.

Não relevam nem a presença de Fábio Porchat diariamente nas noites do Central da Copa —ele estava no trio da comemoração surfista—, afinal, o moço ganha vida fazendo graça, e bem.

Curiosamente, qualquer micagem, piada ou bobagem do mesmo gênero é definida como “orgânica” ou “genial” quando é feita pela CazéTV; mas vira “ridículo” ou “cópia” no principal canal de comunicação do país. Às vezes, a mesma piada.

É verdade que nem tudo são espinhos. As narrações de Everaldo Marques (na primeira Copa depois de Cristo sem Galvão Bueno) têm sido elogiadas, assim como comentários de Ana Thaís Matos.

De certa forma, é como se o internauta tivesse dado o aval para o canal digital de Casimiro Miguel fazer o que quiser: está tudo liberado. Só que a Globo não ganhou o mesmo respaldo ou consentimento popular/online.

Fato é que a CazéTV largou na frente, muito na frente, no quesito principal da Copa: os jogos. Só o canal digital tem todas as 104 partidas da competição em sua grade.

Aliás, a emissora do Rio também tentou fazer a piadinha da Copa com delay. Na internet, não deu certo —mas, segundo a coluna Outro Canal, de Gabriel Vaquer, teve um aumento considerável na venda de anteninhas na Shopee e Amazon.

A Ge TV foi criada em setembro de 2025 com a missão de dividir o bolo da Cazé. Contratou várias pessoas entre jornalistas, influencers, narradores, influencers, ex-jogadores-comentaristas, influencers e influencers.

Exatamente uma Copa atrás, quando o Brasil encerrava sua participação na fase de grupos com derrota para Camarões, a CazéTV tinha algo em torno de 3,6 milhões de inscritos. Um Mundial depois, já está perto de 36 milhões.

Curiosamente, um outro rival uniu dois metaversos que já foram sucessos globais no mesmo mundo, Tiago Leifert e Galvão Bueno, no SBT.

Durante muito tempo, Leifert agiu como a conexão perfeita entre esporte e público digital, mesmo quando a emissora torcia o nariz.

Em entrevista ao Charla Podcast no ano passado, logo depois da criação do Ge TV, ele —que esteve à frente do Globo Esporte de 2009 a 2015— elogiou o lançamento e desejou sucesso aos amigos. Também lembrou, porém, que tentou muitas vezes aumentar a presença digital do esporte na Globo, sem sucesso.

“A Globo tinha muito medo de qualquer coisa que pudesse canibalizar a audiência deles”, disse, lembrando que não podia nem falar os nomes de redes sociais, como Twitter ou Facebook.

No Mundial de 2010, o Central da Copa comandado por Leifert, em tom descontraído, também fez sucesso, principalmente ao rir de si próprio. O apresentador brincou com o famoso caso “cala boca, Galvão”, que viralizou na internet e assustou até o narrador.

“A Globo é tão grande e tem tanto dinheiro que todas as decisões que a prejudicaram de alguma forma foram sempre responsabilidade dela. Se ela quisesse ter feito isso antes, ela poderia, ela tinha os recursos e tinha os direitos, ela não fez porque ela não quis, e aí nasceu a Cazé”, opinou o narrador do SBT.

Leifert reconhece que a emissora está corrigindo o curso. “Tem muita gente boa lá, e muito recurso. E quando a mamãe vem…”, brincou ele, sobre a força de negociação da Globo.

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