Heloisa Périssé abriu o coração em uma conversa com Astrid Fontenelle em seu canal do Youtube. Na casa da apresentadora, em São Paulo, a atriz respondeu às perguntas do “Caderninho das coisas comuns” e falou sobre os 60 anos, o câncer, a saúde mental, a fé, os três casamentos e até o plano de criar uma emissora de comunicação. Logo na primeira pergunta, Astrid quis saber qual idade ela teria se não soubesse a idade que tem. A resposta veio rápida: 30. Em seguida, Lolô, como os amigos a chamam, completou: “A cada ano que passa eu não envelheço, eu atualizo”.
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Fase Sexy
Apesar de não ter nascido na Bahia, Heloisa se considera baiana. Isso porque, filha de um pai aviador, ela morou nos Estados Unidos, no Rio de Janeiro, em Mato Grosso e em Brasília antes de a família se fixar em Salvador, quando ela tinha 11 anos. Foi lá, aliás, que ela tomou uma decisão aos 12 anos, sentada no sofá da sala: “Eu sou a mulher vinho, quanto mais velha é melhor”.
Agora, com 60 anos recém-completados, a atriz celebra a nova fase. “Entrei agora na minha era sexy”, brincou.
Câncer: “só não era minha hora”
Astrid lembrou que Heloisa enfrentou um câncer, mas a atriz não mencionou a doença no caderninho. Segundo ela, o assunto ficou para trás. Além disso, Heloisa contou que não gosta quando as pessoas falam “o seu câncer” e que escolheu fazer o tratamento longe de casa, em São Paulo. “Eu não queria me tratar no Rio de Janeiro, fazer uma quimioterapia, uma radioterapia e voltar pra cama que eu ia dormir depois”, explicou.
No último dia de tratamento, inclusive, ela saiu do apartamento de costas, bateu a porta, entrou no elevador e disse: “Ficou aí nunca mais”.
Por outro lado, a atriz rejeita o rótulo de guerreira. “Eu não sinto que eu guerrei, eu sinto que eu me harmonizei”, afirmou. “Não, só não era minha hora”, completou.
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Depressão, ansiedade e pânico
Quando Astrid perguntou qual característica ela menos gosta em si, Heloisa respondeu que às vezes se deprime. Logo depois, revelou que já tratou depressão, ansiedade e pânico e que segue medicada. Para explicar, citou o amigo Paulo Gustavo: “ninguém é feliz. Tem gente que acertou a dose do remédio”.
Ainda assim, ela garante que acorda bem todos os dias, embora às vezes se sinta “deprimida com a humanidade”. Por isso, no aniversário de 60 anos, fez um único pedido: “que a humanidade se eleve espiritualmente”.
O plano de uma emissora própria
Entre os desejos palpáveis, Heloisa anunciou que quer criar uma emissora de comunicação. A ideia, de acordo com ela, é mostrar histórias de superação, de amor e com muito humor. Quando Astrid perguntou o nome, a atriz não hesitou: DDPT, sigla para “Dona da p*** toda”.
Fé sem religião
Heloisa contou que nasceu católica, se batizou mórmon aos 9 anos, frequentou o espiritismo e, depois, passou um longo período como evangélica. Hoje, no entanto, ela não segue nenhuma religião. Ao se definir, a atriz usa o termo “Cristã, eu almejo”, já que considera o padrão cristão muito alto.
Todas as manhãs, ela segue um ritual: faz um curso online de física quântica, medita e reza o Pai Nosso. Depois disso, apenas agradece. “Eu não peço mais nada a Deus. Eu só agradeço”, contou. Além disso, Heloisa relembrou que o Salmo 91 foi a primeira coisa que leu para as filhas quando elas nasceram.
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Trabalho em São Paulo e a irmã
Atualmente, a atriz mora temporariamente em São Paulo para gravar a série “Casamento Aberto” e atuar no musical “Feliz Ano Velho”, adaptação de Gustavo Barchilon para o livro de Marcelo Rubens Paiva. Na peça, ela interpreta Eunice, mãe do escritor, enquanto Hugo Bonemer e Bruno Garcia vivem Marcelo.
Por sinal, o tema toca a família de Heloisa de perto. A irmã mais nova da atriz, Patrícia, ficou paraplégica aos 14 anos após um acidente. Segundo Heloisa, a mãe envelheceu “da noite pro dia”, mas a família logo buscou soluções. Hoje, Patrícia mora em Miami, tem dois filhos, comanda um escritório de advocacia de imigração e escreveu um livro que termina com a frase “Eu só não ando”.
Filhas
Entre as maiores inspirações, Heloisa citou os livros, a irmã e as filhas, Luiza e Antônia, a Tontom. Enquanto Luiza já mora sozinha, Antônia vive em Berlim, onde estuda produção musical, e abriu os shows da turnê de Duda Beat por Londres, Amsterdã, Berlim e Lisboa.
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Somados, os casamentos de Heloisa chegam a 35 anos: três anos com André Mattos, dez com Lug de Paula, filho de Chico Anysio, e 22 com Mauro Farias, filho de Roberto Farias. Sobre o último ex-marido, pai de Antônia, ela só tem elogios. “Eu admiro ele de verdade. Eu desejo a ele tudo de melhor”, declarou. A atriz contou ainda que sabe que Mauro está namorando e torce pelo casal.
E casaria de novo? Segundo ela, sim. “Eu sou casadora”, afirmou, aos risos.

Um caderninho que foge do óbvio
A entrevista com Heloisa faz parte do “Caderninho das Coisas Comuns”, videocast que Astrid estreou em 29 de setembro no próprio canal do YouTube. O projeto merece aplausos. Em vez de repetir a fórmula de bancada, perguntas sobre polêmicas e cortes prontos para viralizar, Astrid recebe as convidadas na sala de casa, no Morumbi, em São Paulo, e entrega a elas um caderno com 30 perguntas. A ideia vem dos cadernos que circulavam entre amigas na adolescência e do famoso questionário de Proust. Primeiro, a convidada responde por escrito, sozinha com os próprios pensamentos. Só depois as duas conversam sobre as respostas.
O programa presenteia o público com algo criativo e diferente do que se vê por aí. Perguntas simples, como a idade que alguém teria se não soubesse quantos anos tem, abrem espaço para confissões sinceras, risadas e reflexões que raramente aparecem em uma entrevista tradicional.
Um canal para seguir
O videocast inaugura a Àvera, plataforma de conteúdo para mulheres com mais de 45 anos que Astrid lançou em 23 de setembro, em parceria com a MAM Brands. A primeira temporada tem 12 episódios, que chegam ao YouTube às terças-feiras. Bruna Lombardi abriu a série, e a lista de convidadas inclui ainda Fernanda Lima, Marcia Sensitiva, Paula Lima, Luedji Luna, Sonia Abrão, Claudia Liz e Larissa Luz, entre outras.
O canal de Astrid é imperdível, uma grata surpresa que além de fugir totalmente da mesmice e do lugar comum, uma oportunidade de conhecer melhor mulheres fortes e inspiradoras através de conversas leves, bem humoradas e acompanhar o trabalho de uma apresentadora que já nos presenteou com programas geniais como “Chegadas e Partidas” e “Admiráveis Conselheiras”, além dos longos anos no comando do “Saia Justa” (GNT), onde imprimiu seu talento ao lado de mulheres incríveis como Rita Lee, Fernanda Yong, Mônica Martelli, entre outras.
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