Ibovespa fecha em alta após inflação dos EUA aliviar temor sobre juros

O Ibovespa encerrou o pregão desta terça-feira, 14, em alta de 0,45%, aos 176.525 pontos, impulsionado pelo alívio trazido pelos dados de inflação dos Estados Unidos, que vieram melhores do que o esperado pelo mercado. O resultado reforçou a percepção de que o Federal Reserve poderá adotar uma postura menos rígida em relação aos juros, favorecendo ativos de risco e estimulando o retorno do fluxo de capital para mercados emergentes. O dólar fechou em queda de 1,23%, cotado a 5 reais.

O principal indicador do dia foi o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês), que registrou deflação de 0,4% em junho, acima da expectativa do mercado, que projetava uma queda de 0,1%. O dado reduziu os temores de uma inflação persistente nos Estados Unidos e levou investidores a revisar as apostas para a trajetória da política monetária americana.

“O principal fator por trás da alta foi a divulgação da inflação americana, que veio melhor do que o esperado. A queda dos preços dos combustíveis, favorecida pelo arrefecimento do conflito no Oriente Médio durante parte de junho, ajudou a reduzir a inflação e melhorou o humor dos mercados”, afirma Renato Widmer, CIO e especialista da Aurum Wealth Management.

Apesar da recuperação das bolsas, o cenário geopolítico permaneceu no radar dos investidores. Os preços do petróleo continuaram pressionados pelas incertezas envolvendo o conflito entre Estados Unidos e Irã e pela situação no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte da commodity. Ao longo do dia, o presidente americano, Donald Trump, recuou da proposta de impor uma tarifa de 20% sobre cargas que cruzassem a passagem, mas a tensão na região segue alimentando preocupações sobre a oferta global de petróleo.

No mercado doméstico, o ambiente externo mais favorável ajudou a sustentar a valorização dos ativos brasileiros. A queda do dólar e a melhora das perspectivas para os juros nos Estados Unidos favoreceram a entrada de recursos estrangeiros na bolsa, compensando parte da cautela provocada pelo cenário geopolítico.

 “Esse cenário reforça uma perspectiva mais otimista para os juros daqui para frente. Ainda há fatores de volatilidade, como as discussões sobre tarifas, as eleições e o conflito no Estreito de Ormuz, mas o mercado encontrou um ambiente mais favorável para a entrada de recursos”, diz Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos.

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