Ideb 2025: ganhos em anos iniciais caem pela metade no fim do ciclo Fundamental

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Os números do Indice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025, divulgados nesta semana, revelam uma dinâmica emblemática sobre a dificuldade em fazer o ensino avançar no Brasil. O rendimento dos alunos que terminam o Ensino Fundamental 1 – que corresponde ao quinto ano – na a maioria dos municípios brasileiros já bateu a meta de qualidade estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE). Mas essa conquista praticamente evapora quando as mesmas crianças chegam ao nono ano, o último do Fundamental 2.

Segundo o levantamento, 61,2% dos municípios  — o equivalente a 3 256 cidades — atingiram a meta do PNE para os anos iniciais na rede municipal. Quando a mesma régua é aplicada aos anos finais, cuja responsabilidade costuma ser dividida com os estados, o índice despenca para 31,3%, ou 1 720 municípios. Na prática, a proporção de localidades aprovadas cai quase pela metade de uma etapa para a outra.

O recado dos números é direto: há problemas estruturais que travam o avanço do desempenho nas salas de aula. “Quando os estudantes não aprendem conhecimento muito básicos, eles vão carregando essas defasagens, que se manifestam na etapa seguinte”, aponta Daniela Caldeirinha, vice-presidente de relações institucionais da fundação Lemann. “É justamente nesse momento que ocorre uma mudança muito grande na dinâmica da escola, quando os alunos passam a ter aulas com professores especialistas, por disciplina”.

Cruzando os resultados das duas etapas, os dados escancaram o tamanho do desafio da transição escolar. Apenas 1 522 municípios conseguiram bater a meta nas duas pontas simultaneamente — um grupo relativamente pequeno de “alunos exemplares” do sistema. Só 93 municípios falharam nos anos iniciais, mas conseguiram se recuperar e atingir a meta nos anos finais, evidenciando o quanto é difícil avançar sem construir uma base sólida.

 Para especialistas em educação, esse é o retrato mais nítido de onde o sistema educacional brasileiro precisa concentrar esforços, não apenas na alfabetização, que já mostra sinais de avanço consistente, mas sobretudo na passagem dos alunos para os últimos anos do fundamental, quando o número de professores por turma aumenta, o conteúdo se fragmenta por disciplina e a evasão começa a aparecer no radar.

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“A adolescência abre uma janela de aprendizagem brutal, só comparada com o início da primeira infância. Mas isso vem acompanhado de muitas outras mudanças, no corpo e nos interesses e a escola precisa construir um ambiente capaz de engajar esse estudante”, diz Caldeirinha.

Resultados por estados

Em 14 estados brasileiros, menos de 10% dos municípios conseguiram atingir a meta dos anos finais, um sinal de que a dificuldade nessa etapa não é um problema pontual, mas estrutural e generalizado pelo país.

Quando os dados são abertos por estado, o Paraná desponta como o grande destaque nacional: lidera o ranking tanto nos anos iniciais (96% dos municípios batendo a meta, empatado com o Espírito Santo) quanto nos anos finais (81%), com folga sobre o segundo colocado.

Nos anos iniciais, São Paulo (92%) e Santa Catarina (89%) completam o pelotão de frente. Já nos anos finais, o cenário é mais heterogêneo e mais preocupante: depois do Paraná, aparecem Goiás (64%) e Ceará (61%) — e, a partir daí, uma queda abrupta.

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