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IPCA+ 8% abre ‘janela de oportunidade’, mas também traz riscos; saiba como aproveitar sem cair em armadilhas

Os títulos públicos indexados à inflação dispararam recentemente, com o Tesouro IPCA+ oferecendo prêmios reais próximos a 8,5% ao ano, mais a inflação. Este percentual é um dos maiores das últimas décadas, e os títulos chegaram a este patamar após o mercado começar a precificar inflação em alta nos Estados Unidos e no Brasil com as decisões sobre juros anunciadas na semana passada.

Isso significa que o mercado passou a cobrar uma remuneração maior para colocar dinheiro em títulos públicos que, na prática, vão financiar o país. E cobram mais porque veem maior risco diante da volatilidade externa e os riscos fiscais com as contas públicas. Para o investidor, significa investir em um ativo que garante a proteção contra a inflação porque remunera pela variação do IPCA, mais 8%.

“A taxa real oferecida pelos títulos indexados ao IPCA encontra-se em um dos maiores patamares das últimas décadas, aproximando-se dos níveis observados durante a crise financeira de 2008”, destaca Marisa Rossignoli, conselheira do Corecon-SP e docente de Economia da Unimar. 

“As taxas precificam um cenário-base de estresse, que combina juros mais altos nos principais mercados mundiais”, Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos. Ele cita a postura mais cautelosa dos bancos centrais Europeu, do Japão, e dos Estados Unidos em relação à inflação, precificando a alta de preços. “A isso se soma um cenário local desafiador, que combina inflação qualitativamente pior, expectativas desancoradas, cenário fiscal ruim”, avalia, acrescentando a decisão do Comitê de Politica Monetária (Copom), que cortou juro em meio a riscos de alta da inflação.

Para Gustavo Assis, CEO da Asset, este tipo de produto nasce de um ambiente com expectativas tensionadas. “O Tesouro está pagando tanto porque precisa disputar capital em um ambiente de dívida pública pressionada, inflação ainda sensível e incerteza fiscal. É uma taxa muito atrativa, mas nasce de um cenário de estresse”, afirma.

Esta conjuntura global e local que leva a esses prêmios excepcionais não veio para ficar. “Não devemos encarar o IPCA+ a 8% como o ‘novo normal’. Tratar isso como normalidade seria assumir que o Brasil conviverá permanentemente com juros reais estratosféricos e prêmio fiscal descontrolado”, diz Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos. 

Para ele, trata-se de uma “janela de oportunidade volátil”, que favorece o investidor que tem liquidez e consegue carregar o papel até o seu vencimento para travar um ganho real histórico.

Estratégia de alocação para o longo prazo

Para o investidor médio, aproveitar essa onda exige critério. A Forum Investimentos aponta que a categoria pode ocupar entre 25% e 35% do portfólio, atuando em conjunto com ativos pós-fixados, que capturam o cenário de Selic ainda alta de forma mais estável, além de CDBs e fundos e crédito privado, a depender de outras características do investidor.

Para Araújo e Assis, da Azumi e Asset, este título indexado à inflação deve figurar como o “núcleo” da parcela de longo prazo da carteira focada em aposentadoria, preservação de poder de compra ou sucessão patrimonial. No entanto, eles alertam para uma ilusão comum envolvendo o custo de vida do investidor.

“Uma pessoa que gasta muito com saúde, educação, aluguel ou alimentação pode ter uma inflação maior do que o IPCA”, ressalta Assis. Dessa forma, a deterioração do capital próprio iria além da inflação média do país. O cálculo da proteção patrimonial, portanto, deve ir além da taxa bruta de 8%, descontando o Imposto de Renda e considerando a realidade de consumo da família.

Marcação a mercado

O maior risco para quem investe neste ativo atraído apenas pela rentabilidade extra de 8%, além da inflação, é a falta de planejamento financeiro, especificamente em relação à liquidez. Isso porque esta rentabilidade só é garantida para quem permanece com o ativo até o vencimento. Caso seja necessário retirar o dinheiro antes da hora, o investidor enfrentará a marcação a mercado, que é o preço que o mercado está disposto a pagar por aquele ativo em outro momento. O risco é a pressão inflacionária continuar escalando e forçando uma alta da taxa Selic.

“Para quem tem pressa ou falta de previsibilidade, o maior perigo atende pelo nome de marcação a mercado”, diz Araújo.

“Quando os juros sobem, o preço dos títulos prefixados e indexados à inflação cai”, explica Assis. 

Ou seja, se o mercado passar a exigir taxas ainda mais altas amanhã, o título na carteira desvaloriza hoje, podendo gerar perdas na venda antecipada.

A blindagem contra esse risco é definir bem os objetivos. Para dinheiro de curto prazo ou reservas de emergência, a alocação deve focar estritamente em papéis pós-fixados e líquidos, como Tesouro Selic e LCI/LCAS de bons bancos, dentro do limite de garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), afirma Perri.

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Fonte: Link da fonte

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