A Apple divulgou vendas de iPhone e MacBook no segundo trimestre deste ano acima do esperado nesta quinta-feira (30), além de um impulso de aproximadamente US$ 1 bilhão proveniente de reembolsos de tarifas dos Estados Unidos.
As vendas de iPhones foram de US$ 54,3 bilhões, alta de quase 22% em relação ao ano anterior e acima dos US$ 53,1 bilhões esperados por Wall Street, apesar de uma contração generalizada nas vendas globais de smartphones causada pelos preços mais altos de chips de memória.
A receita da China continuou em recuperação após quedas nos últimos anos devido à concorrência de rivais domésticas como a Huawei, subindo 22% em relação ao ano anterior, para US$ 18,8 bilhões.
“Conseguimos alcançar esse ótimo resultado apesar das restrições de oferta e dos ventos contrários cambiais sequenciais”, disse Kevan Parekh, diretor financeiro.
A Apple recentemente reconquistou seu título de empresa mais valiosa do mundo e chegou brevemente a US$ 5 trilhões em valor de mercado, já que os investimentos relativamente pequenos da gigante de hardware em inteligência artificial a tornaram um porto seguro para investidores entre as ações de big techs que, de outra forma, estão fortemente expostas ao mercado de IA.
Os investidores acompanharam de perto os resultados desta quinta, em busca de sinais de como a Apple pretende enfrentar a escassez de chips de memória em todo o setor, que a empresa responsabilizou por um raro aumento de 20% nos preços de MacBooks e iPads em junho. As ações caíram cerca de 3% após o fechamento do mercado.
John Ternus, chefe de hardware, que assumirá como CEO em setembro, precisa convencer os investidores de que pode gerenciar a vasta cadeia de suprimentos que Tim Cook ajudou a construir, em um momento de pressão aguda. O balanço trimestral desta quinta é o último sob o comando de Cook.
Espera-se amplamente que a Apple aumente os preços do iPhone ainda este ano e escalone o lançamento do modelo básico do iPhone 18 e do novo iPhone Air para o próximo ano, aliviando parte da pressão sobre seus fornecedores.
Para suavizar os aumentos de preços, a Apple adotou novas opções de pagamento para os consumidores, anunciando esta semana um acordo com a Klarna que permite aos clientes dos EUA alugar um iPhone a partir de US$ 17,99 por mês.
No curto prazo, manter os preços do iPhone ajudou a Apple a aumentar sua participação de mercado para 20% no trimestre, ante 17% no ano passado. Os embarques globais de smartphones caíram 11% no período.
Analistas do Bernstein escreveram esta semana que a Apple “superou significativamente o mercado mais amplo” como a única grande fabricante de smartphones a evitar aumentos de preços.
Os preços dos chips de memória subiram cerca de 300% apenas no segundo trimestre do ano, segundo a International Data Corporation, já que a demanda dos construtores de data centers de IA absorveu a oferta.
A Apple conseguiu manter suas margens tipicamente fortes. A margem bruta do trimestre foi de 50%, incorporando um impulso de 2 pontos percentuais proveniente de reembolsos das tarifas emergenciais do presidente Donald Trump impostas no ano passado, que desde então foram derrubadas pela Suprema Corte dos EUA.
A margem bruta dos produtos da Apple foi de 40%, superando as estimativas de 36,3%.
A empresa também reportou receita de US$ 109,4 bilhões nos três meses encerrados em junho, alta de 16% em relação ao ano anterior e ligeiramente acima das expectativas dos analistas de US$ 108 bilhões compiladas pela Visible Alpha.
As vendas de MacBooks também superaram as estimativas, com US$ 10,4 bilhões contra os US$ 8,8 bilhões esperados, com forte alta em relação ao ano anterior. O lucro líquido foi de US$ 29,8 bilhões, acima das estimativas de US$ 27,4 bilhões.
A receita de serviços, que inclui a App Store e o Apple Pay, foi de US$ 30,7 bilhões, abaixo dos US$ 31,4 bilhões esperados pelos analistas.
Os gastos de capital foram de US$ 2,5 bilhões, cerca de US$ 1,1 bilhão a menos do que no mesmo período do ano passado e bem abaixo dos concorrentes.
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