Na obra “Caso Henry: dúvidas e contradições”, Coronel Jairo, pai do ex-vereador Dr. Jairinho, apresenta uma narrativa própria sobre a investigação da morte do menino Henry Borel Medeiros, caso que mobilizou o país em 2021. O livro reúne reproduções de documentos, imagens de processos, análises de laudos, trechos de depoimentos e críticas à condução do inquérito policial e das perícias realizadas ao longo do caso. Em mais de 170 páginas, a publicação sustenta a existência de contradições técnicas, falhas investigativas e influência da pressão midiática no processo que levou à condenação de Dr. Jairinho e Monique Medeiros.

Livro de Coronel Jairo sobre o Caso Henry reacende controvérsias e questiona investigação
Publicação “Caso Henry: dúvidas e contradições” reúne críticas a laudos, perícias e condução do inquérito que levou à condenação de Dr. Jairinho e Monique Medeiros. Ao longo da obra, Coronel Jairo apresenta uma reconstrução própria dos fatos e sustenta que o caso foi marcado por inconsistências técnicas, pressão midiática e decisões influenciadas pela comoção pública
O lançamento do livro “Caso Henry: dúvidas e contradições”, escrito por Jairo de Souza Santos, conhecido politicamente como Coronel Jairo, recolocou em evidência um dos casos criminais mais impactantes da história recente do Brasil. Pai do ex-vereador Dr. Jairinho, condenado pela morte do menino Henry Borel Medeiros, em 2021, o autor apresenta uma narrativa própria sobre os acontecimentos investigados pela Polícia Civil e analisados pela Justiça do Rio de Janeiro.
Ao longo de mais de 170 páginas, a publicação reúne reproduções de documentos, imagens de processos, trechos de depoimentos, análises de laudos periciais e interpretações pessoais do autor sobre a investigação e o julgamento. Em diversos momentos, o livro sustenta que houve contradições técnicas, falhas investigativas e influência da repercussão pública no rumo do processo.
Coronel Jairo, policial militar e ex-deputado estadual do Rio de Janeiro, construiu sua trajetória política na Zona Oeste da capital fluminense, especialmente na região de Bangu. Filiado ao Solidariedade, foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 2002, sendo reeleito em 2006, 2010 e 2014. Desde a prisão do filho, passou a atuar publicamente em defesa de Dr. Jairinho, questionando conclusões da investigação que apontou agressões físicas como causa da morte de Henry.
O livro é dividido em capítulos com títulos de forte impacto visual, como “A noite da tragédia e as primeiras dúvidas”, “O martelo da emoção: a parcialidade no Judiciário em um inquérito seletivo”, “A evidência oculta: a farsa dos laudos e depoimentos” e “A voz que a lei não quis ouvir”. Em cada um deles, Coronel Jairo organiza argumentos para contestar pontos específicos do inquérito policial e do processo judicial.
Nas primeiras páginas, a obra afirma que o objetivo não seria “absolver nem condenar”, mas apresentar questionamentos que, segundo o autor, não teriam sido aprofundados durante a investigação. O livro sustenta a tese de que a repercussão nacional do caso criou um ambiente de pressão emocional capaz de influenciar a condução das apurações e das decisões judiciais.
Grande parte do conteúdo é dedicada à reconstrução cronológica da noite da morte de Henry. O livro reproduz trechos atribuídos aos depoimentos prestados por Monique Medeiros e descreve a movimentação no apartamento onde o menino estava antes de ser levado ao hospital. Em um dos capítulos, a publicação questiona mudanças nos relatos apresentados à polícia e aponta supostas inconsistências entre depoimentos, laudos e registros de imagens.
A obra também destaca episódios relacionados ao atendimento médico prestado ao menino no hospital. Em diferentes passagens, Coronel Jairo sustenta que determinadas lesões identificadas nos exames poderiam ter sido provocadas pelas tentativas de reanimação realizadas pela equipe médica durante o socorro emergencial.
O livro menciona que Henry teria sido submetido a quase duas horas de manobras de ressuscitação, incluindo massagens cardíacas, intubações e administração de medicamentos. A partir disso, o autor afirma que parte das marcas apontadas posteriormente como sinais de agressão poderiam ter relação com os próprios procedimentos hospitalares.
As críticas aos laudos periciais aparecem de maneira recorrente. Em uma das páginas reproduzidas na obra, o termo “laudo falso” surge em destaque sobre a imagem de um documento de necropsia. Em outro trecho, Coronel Jairo afirma que os primeiros laudos não apontariam agressões e sustenta que houve interpretações posteriores que teriam modificado o entendimento inicial da perícia.
A publicação também questiona a ausência de determinadas imagens e registros audiovisuais. O autor afirma que vídeos de câmeras de segurança, prontuários médicos e exames teriam sido apresentados de forma incompleta ou tardia. Em um dos capítulos, o livro pergunta por que imagens de raio X e partes do prontuário médico só teriam sido disponibilizadas posteriormente.
Outro ponto explorado na obra é a atuação dos órgãos responsáveis pela investigação. Coronel Jairo afirma que houve condução “seletiva” do inquérito e sugere que determinados elementos não teriam sido devidamente investigados. Em uma das páginas, o livro sustenta que pessoas próximas ao pai biológico de Henry não teriam sido alvo da mesma profundidade investigativa aplicada aos demais envolvidos no caso.
A obra também traz críticas à cobertura midiática do episódio. Segundo o autor, a intensidade da repercussão nacional teria contribuído para a formação antecipada de um julgamento público sobre o caso. Em vários trechos, Coronel Jairo utiliza a expressão “tribunal da opinião pública” para descrever o ambiente criado em torno da investigação.
Além das críticas técnicas e jurídicas, o livro possui forte tom pessoal e emocional. Coronel Jairo relata o impacto da prisão do filho sobre a família e afirma que decidiu publicar a obra após considerar que determinadas versões dos fatos não encontraram espaço no debate público. Em diferentes capítulos, o autor descreve sofrimento emocional, exposição pública e desgaste familiar provocados pelo caso.
O epílogo, intitulado “Ecos de um silêncio”, reforça essa linha narrativa. O texto afirma que o Caso Henry se transformou em um símbolo de como a pressão social e midiática pode influenciar percepções coletivas sobre culpa e inocência. A publicação sustenta que perguntas importantes permaneceriam sem respostas e defende que a busca pela verdade exige equilíbrio, transparência e coragem para enfrentar “verdades incômodas”.
O Caso Henry ganhou repercussão nacional em março de 2021, após a morte do menino Henry Borel Medeiros, de quatro anos. As investigações concluíram que a criança foi vítima de agressões físicas dentro do apartamento onde vivia com a mãe, Monique Medeiros, e o então vereador Dr. Jairinho. O caso provocou ampla comoção popular, intensa cobertura da imprensa e debates públicos sobre violência infantil e responsabilização familiar.
Dr. Jairinho e Monique Medeiros foram denunciados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro e posteriormente condenados pela Justiça. Desde o início das investigações, as defesas dos acusados contestaram parte das conclusões apresentadas pela perícia e apontaram divergências em relação à dinâmica descrita pela acusação.
Agora transformadas em livro, essas contestações passam a integrar uma publicação que revisita o caso sob a ótica de Coronel Jairo. Ao reunir documentos, interpretações, críticas e questionamentos, “Caso Henry: dúvidas e contradições” amplia novamente o debate em torno de um dos processos criminais mais emblemáticos e controversos do país, reacendendo discussões sobre investigação, julgamento e o impacto da opinião pública em casos de grande repercussão nacional.









