O Banco Central reiterou nesta segunda-feira (25) que a liquidação do Banco Master e instituições integrantes do conglomerado não gerou efeitos sistêmicos no SFN (Sistema Financeiro Nacional).
A avaliação consta no Relatório de Estabilidade Financeira e já havia sido feita pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, na última terça-feira (19).
De acordo com a autarquia, a capitalização e liquidez do sistema financeiro do país permanecem confortáveis, e com provisões adequadas ao nível de perdas esperado.
Após a liquidação, clientes ressarcidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos) direcionaram recursos principalmente para instituições financeiras (IFs) de maior porte e de maior relevância sistêmica, em linha com o esperado em eventos de resolução bancária, de acordo com a autoridade monetária.
Na semana passada, Galípolo deu a mesma garantia ao comentar que o Master correspondia a menos de 0,5% dos ativos do sistema financeiro nacional. Segundo ele, o caso se tornou relevante pelo que se fazia com o dinheiro depositado no banco, e menos com o passivo da instituição, que foi liquidada pelo BC em novembro do ano passado.
“Ele é um banco S3”, afirmou, citando a nomenclatura usada internamente pela autarquia. “Para explicar, e espero que os outros bancos S3 não se ofendam, [era] da terceira divisão do futebol que é o sistema financeiro brasileiro”.
O Master chamava atenção no mercado financeiro porque oferecia a venda de CDBs (Certificados de Depósito Bancário) com altos retornos e apoiado na garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), fundo privado que cobre aplicações de até R$ 250 mil.
A Polícia Federal tem uma série de investigações ligadas ao Master, apurando a suspeita de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e uso de recursos públicos em operações do banco. As apurações também mostram gastos milionários com festas e despesas de autoridades da política.
No bojo das apurações, dois servidores do BC foram afastados por envolvimento no caso. Investigação interna do Banco Central concluiu que o ex-chefe de Supervisão Bancária Belline Santana simulou dois contratos, que somaram R$ 4 milhões, com um advogado ligado ao Banco Master para receber propina.
O ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza também foi afastado. Ele é suspeito de ter manipulado informações sobre a atuação do Master quando chefiava a área de Fiscalização, na gestão de Roberto Campos Neto, para afastar suspeitas da cúpula do órgão e driblar investigações internas.
O relatório do BC ainda apontou que a materialização de risco aumentou no crédito às famílias e manteve-se relativamente estável no crédito às empresas.
Segundo o documento, os ativos problemáticos aumentaram em todas as modalidades de crédito para famílias, sendo que a inadimplência continua sendo o principal fator para esse aumento e ainda teria se elevado, mesmo em um cenário hipotético em que as práticas de baixas a prejuízo das instituições financeiras não tivessem se alterado em 2025.
“Prospectivamente, as estimativas de probabilidade de default indicam que a trajetória de alta deve permanecer para a maioria das modalidades”, disse o BC.
Folha Mercado
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Já no crédito às empresas, as probabilidades de default mantiveram tendências de queda em todos os portes, porém em níveis ainda elevados.
De acordo com o BC, a desaceleração do crédito prossegue, em linha com a moderação do crescimento da atividade econômica. Ainda há sinais, completou, de propensão ao risco, mas as instituições financeiras continuam reduzindo o apetite.
“Mesmo com o dinamismo do mercado de trabalho, com ganhos consistentes de renda e redução expressiva do desemprego, o comprometimento de renda das famílias elevou-se ainda mais. O maior impacto ocorreu entre os tomadores de menor renda, com forte contribuição de modalidades de crédito mais caras”, avaliou o BC.
Os resultados dos testes de estresse, ainda segundo o relatório, indicam que o sistema bancário possui capitalização adequada e resiliência em todos os cenários simulados.
Com informações de Fernanda Brigatti e da Reuters
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