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Ainda que o debate sobre diversidade avance, o audiovisual persiste em usar personagens LGBTQIA+ como suporte cômico e sem profundidade para protagonistas. De ‘O Diabo Veste Prada’ a ‘Crô’, a indústria repete estereótipos disfarçados de representatividade, mostrando conforto com clichês.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Em um momento em que o debate sobre a diversidade ganha mais espaço, o audiovisual ainda tropeça em algumas narrativas. Um dos mais recorrentes é o uso de personagens gays como “pedestal” para que as protagonistas (quase sempre dondocas bobobas) brilhem em filmes, novelas e séries — que, em muitos casos, se tornam sucesso de audiência. É o caso do recente Perrengue Fashion, filme estrelado por Ingrid Guimarães, que tem como seu fiel escudeiro o comediante Rafa Chalub. Na produção, a atriz vive uma influenciadora de moda que vai resgatar o filho na Amazônia com a ajuda de seu assistente Taylor (Rafa). O tom cômico conduz toda a trama, apoiada em estereótipos LGBTQIA+ travestidos de humor e suposta representatividade.
Esse modelo carrega características de produções antigas, nacionais e internacionais. Em O Diabo Veste Prada (2006), por exemplo, o talentoso Stanley Tucci interpreta Nigel, um editor de moda da revista Runway cuja função é lapidar a protagonista, Andy (Anne Hathaway), e sustentar sua jornada. Apesar do carisma e da competência profissional, o personagem ocupa um lugar secundário, sem desejos ou conflitos.
A televisão também não escapa dos rótulos. Sex and the City, exibida entre 1998 e 2004, apresentou dois exemplos clássicos. Stanford Blatch, interpretado por Willie Garson (1964-2021), era o melhor amigo de Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker) e atuava quase exclusivamente como conselheiro emocional, enquanto sua vida afetiva surgia de forma superficial e cômica. Anthony Marentino (Mario Cantone), por sua vez, era amigo de Charlotte (Kristin Davis) e reduzido ao alívio cômico com seus comentários sobre moda e sexo.
Voltando às produções brasileiras, é impossível ignorar Crô, talvez o caso mais explícito do uso do gay como suporte ao protagonismo feminino — neste caso, o da vilã de Fina Estampa. Interpretado por Marcelo Serrado, o mordomo de Tereza Cristina (Christiane Torloni) reuniu todos os elementos, com destaque à devoção e ao humor excessivo. O sucesso foi tamanho que Crô ultrapassou a novela, ganhou filme próprio e ainda é cotado para uma participação especial na atual novela das 9, Três Graças, escrita por quem o idealizou. Sinal de que o público e a indústria seguem confortáveis com tais clichês.
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