Grande aposta da TV Globo para 2026, A Nobreza do Amor chegou à programação da emissora cercada de expectativas. O elenco, o visual e a proposta de levar à faixa das 6 uma história que cruza um reino africano e o sertão nordestino ajudaram a criar uma produção ambiciosa e pouco convencional para a faixa — mas não inédita, já que a premiada Órfãos da Terra (2019), também de Duca Rachid, explorou a temática árabe e a questão dos refugiados.
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Ainda assim, a trama de Rachid, Júlio Fischer e Elísio Lopes Jr. estreou com 17,3 pontos em São Paulo, o pior resultado do horário até então. Meses depois, ganhou fôlego e chegou a 19 pontos, mas ainda longe de se consolidar como um sucesso de audiência. Paralelamente, conquistou a torcida de parte dos telespectadores. O contraste entre os números e a repercussão expõe a contradição de que a obra estrelada por Duda Santos, Nicolas Prattes e Lázaro Ramos cativa, mas não prende o público. Intrigada com esse fenômeno, a coluna GENTE elenca cinco fatores que ajudam a entendê-lo.
1. Sofisticação como barreira. O primeiro obstáculo pode estar no que deveria ser um dos maiores trunfos do folhetim, cuja proposta tem seus méritos por ampliar a representação negra e apresentar uma África distante de estereótipos. Em um horário tradicionalmente associado a romances ou histórias de fácil reconhecimento, explorar monarquia, disputas políticas e referências culturais próprias, em paralelo ao sertão nordestino de Barro Preto, exige que o espectador primeiro compreenda aquele universo para depois estabelecer o vínculo com seus personagens — o que pode levar um tempo maior para se popularizar.
2. Clichês de luxo. Se a estética é uma novidade, a narrativa nem tanto. A novela reúne situações já exploradas em outras produções da faixa. Em meio a cenários, figurinos e direção de arte sofisticado, estão mecanismos bastante familiares, como mocinha ameaçada, triângulos amorosos, romance impossível e disputas familiares. Sem contar as reviravoltas previsíveis e separações forçadas. Um clássico.
3. Construção lenta do casal. Outro desafio enfrentado pela trama das 6 foi a concepção do casal principal. Alika (Duda Santos) e Tonho (Ronald Sotto) precisam atravessar os clichês amorosos até se tornarem um dos motores emocionais da trama. Isso tudo em meio a outros romances. Haja amor para o telespectador acompanhar.
4. Excesso de tramas paralelas. Embora a novela tenha uma história central forte, a trama se divide em diferentes núcleos e conflitos. O resultado é uma narrativa que, em alguns momentos, pode afetar o ritmo e dificultar a criação do hábito de acompanhar a produção diária. A questão não é necessariamente a falta de acontecimentos, mas a dificuldade de fazer com que todos eles pareçam importantes para quem está diante da televisão. Em um cenário de atenção cada vez mais disputada por streaming e redes sociais, capítulos que parecem avançar pouco podem ser suficientes para fazer o público se afastar.
5. Horário pouco favorável. Parte da explicação para os números de A Nobreza do Amor também pode estar fora da própria novela. Antes de a novela entrar no ar, a faixa das 6 já enfrentava problemas. Rainha da Sucata, exibida antes da novela no Vale a Pena Ver de Novo, vinha registrando números considerados mornos. Além disso, o folhetim de Duca Rachid sofreu alterações em alguns meses, especialmente durante a programação da Copa do Mundo de 2026. Em junho, quando foi exibida mais de uma hora antes do habitual, chegou ao pior resultado desde a estreia. Por outro lado, ao longo do Mundial, a trama chegou a alcançar marcas superiores às registradas normalmente. Ou seja, existe um público potencial. Resta descobrir como fazê-lo ficar.
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