Os mercados operam em um movimento global de diminuição da aversão ao risco nesta quarta-feira, 8. O grande propulsor do otimismo foi o cessar-fogo de duas semanas acordado entre Estados Unidos e Irã na noite anterior. Apesar de as negociações ainda estarem marcadas por incertezas — como a continuidade dos ataques de Israel contra o Líbano —, a medida concreta que alivia temporariamente tensões na região do Oriente Médio foi suficiente para aliviar e melhorar o humor dos investidores. O Ibovespa encerrou em forte alta de 2,09%, ultrapassando os 192 mil pontos pela primeira vez na série histórica.
Para Nicolas Gass, estrategista de investimentos e sócio da GT Capital, o cessar-fogo é instável, mas a trégua por parte dos EUA reduz as inseguranças desse cenário e gera euforia dos índices de ações e moedas no curto prazo. “Cada vez mais a tendência é que o país norte-americano saia do risco de guerra e que isso se torne mais um conflito local entre Israel e Irã”, comenta. “Com isso acontecendo, seja via acordo, seja via uma troca de regime, é o que vai impulsionar os mercados e desvalorizar ainda mais o preço do barril de petróleo.”
O Estreito de Ormuz foi aberto após o acordo, mas voltou a ser fechado no fim da manhã de hoje. A movimentação no canal durante o começo do dia, no entanto, fez o preço do barril de petróleo brent despencar mais de 13%. A commodity voltou a ser negociada em torno dos 96 dólares. “A queda do petróleo eliminou o risco imediato de choque inflacionário global e pressionou o DXY de forma direta, enfraquecendo a moeda americana em relação às emergentes”, explica Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad. “O real se destacou pela combinação de fluxo para a bolsa de valores e manutenção de diferencial de juros real elevado frente aos pares”.
Com isso, o dólar caiu a 5,09 reais, a menor cotação desde maio de 2024, quase dois anos atrás. A moeda brasileira se destaca pela combinação de fluxo de capital estrangeiro indo para a bolsa de valores nacional e manutenção de diferencial de juros elevado entre os EUA e o Brasil.
Os fatos que mexem no bolso são o destaque da análise no programa Mercado:
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