Observatório Vera C. Rubin inicia mapeamento do céu – 02/07/2026 – Ciência

A maior câmera digital da Terra finalmente começou a filmar um longa-metragem do nosso Universo.

Na última terça-feira (30), o Observatório Vera C. Rubin, no Chile, deu início ao mais amplo e profundo levantamento já feito de todo o céu do hemisfério sul.

Ao longo de dez anos, o telescópio vai captar a luz de bilhões de galáxias e estrelas, criando um registro nítido de como os objetos se movem, pulsam e explodem em nosso Sistema Solar, na Via Láctea e além.

“Este é o fim de uma espera de 30 anos”, disse Phil Marshall, diretor-adjunto das operações do telescópio no Laboratório Nacional de Aceleradores SLAC, na Califórnia. “É um marco importante para nós.”

Os astrônomos esperam que essa coleção de dados, conhecida como Levantamento Legado do Espaço e do Tempo, revolucione, por exemplo, o conhecimento sobre o nascimento da nossa galáxia, a matéria invisível que permeia o Cosmo e o que moldou o Universo.

Segundo Marshall, o levantamento foi projetado para ver tudo, “até mesmo as coisas que ainda não sabemos que estamos procurando”.

A equipe por trás do observatório, um esforço conjunto financiado pelo Departamento de Energia dos EUA e pela Fundação Nacional de Ciência (NSF, na sigla em inglês), divulgou no ano passado várias imagens do Cosmos como uma prévia do que o Rubin seria capaz de fazer.

Desde então, os cientistas têm trabalhado em testes finais e revisões das operações e sistemas do telescópio.

Bob Blum, diretor de operações do Rubin no Laboratório Nacional de Pesquisa em Astronomia Óptica-Infravermelha, disse que a equipe também tem se dedicado a garantir que o telescópio possa operar de forma confiável em diferentes condições ambientais ao longo da próxima década.

Durante o Levantamento Legado do Espaço e do Tempo, o Rubin capturará todo o céu do hemisfério sul a cada dois dias. Mas “já estamos tendo vislumbres de novas descobertas científicas”, afirmou Blum, incluindo mais de 11 mil novos asteroides e imagens do cometa 3I/Atlas, que se originou fora do nosso Sistema Solar.

Nos próximos anos, milhares de astrônomos vasculharão a gigantesca quantidade de dados que o telescópio coletará, observando alguns cantos do Cosmos, onde podem existir objetos celestes além da imaginação.

O levantamento, segundo Marshall, “será uma verdadeira mina de ouro para a ciência”.

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