ONU: Cortes deixam um milhão de mulheres sem assistência – 10/07/2026 – Equilíbrio e Saúde

Pelo menos um milhão de mulheres e meninas perderam acesso a apoio essencial à sobrevivência no último ano devido aos cortes na ajuda de doadores globais, segundo um relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) divulgado nesta sexta-feira (10).

Quase 9 em cada dez organizações de mulheres não conseguem mais atender às necessidades locais, apesar de um grande aumento na demanda desde janeiro do ano passado, diz o relatório da ONU Mulheres. De forma geral, as organizações enfrentam a maior queda registrada no financiamento da ajuda.

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cortou bilhões de dólares em ajuda externa este ano, enquanto outros grandes doadores internacionais também reduziram seus orçamentos de ajuda devido a pressões fiscais e ao aumento dos gastos com defesa. Os EUA eram o maior doador de ajuda humanitária do mundo.

“Cada dólar retirado das organizações de mulheres é um dólar retirado das sobreviventes de violência sexual relacionada a conflitos, de mães deslocadas, de meninas forçadas a abandonar a escola e de comunidades que lutam para sobreviver”, diz Sofia Calltorp, chefe de Ação Humanitária da ONU Mulheres.

Cerca de 120 milhões de mulheres e meninas precisam de assistência humanitária e proteção em todo o mundo. No entanto, 40% das 855 organizações de mulheres pesquisadas em países como Afeganistão, República Democrática do Congo e Haiti correm o risco de encerrar suas atividades temporária ou permanentemente no próximo ano devido à escassez de recursos, segundo o relatório.

A maioria das organizações pesquisadas afirmou que não consegue mais atender aos níveis atuais de necessidade, com 60% delas declarando que estão alcançando menos mulheres e meninas do que antes de janeiro de 2025, apesar do aumento na demanda por seus serviços.

Essa redução está criando lacunas críticas na cobertura humanitária, segundo o relatório, já que essas organizações são, às vezes, os únicos atores capazes de alcançar mulheres e meninas em situação de necessidade.

Sessenta e cinco por cento das organizações lideradas por mulheres afirmam que seus funcionários estão trabalhando sem remuneração para manter os serviços em funcionamento, enquanto metade delas introduziu listas de espera ou está sendo obrigada a recusar mulheres e meninas. Mais de três quartos afirmam ter reduzido o número de cargos.

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