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Órgão de concorrência da UE investiga Sanofi por propaganda enganosa contra rival – 26/06/2026 – Economia

O órgão de defesa da concorrência da UE abriu uma investigação sobre a Sanofi para avaliar se a farmacêutica francesa implementou uma campanha de comunicação “enganosa” contra uma fabricante rival de vacinas contra a gripe, anunciou o órgão antitruste do bloco nesta sexta-feira (26).

A Sanofi fabrica a vacina contra a gripe Efluelda, que compete na Europa com a vacina Fluad da CSL Seqirus.

A Comissão Europeia levantou preocupações de que a campanha da Sanofi, que teve como alvo principal profissionais de saúde na Alemanha e na França, serviu para “depreciar a Fluad ao retratá-la como inferior à Efluelda, contrariando as recomendações nacionais de vacinação em vários Estados-membros”.

A comissão disse na sexta-feira que suas preocupações em relação à Sanofi, que considera deter uma posição dominante no mercado, estão centradas em alegações sugerindo que “a base de evidências para a Fluad é mais fraca do que para a Efluelda”, bem como representações enganosas das recomendações nacionais de vacinação.

Também apontou para alegações da Sanofi sugerindo que a recomendação nacional de vacinação da Alemanha para a Fluad permanece sujeita a “objeções científicas não resolvidas de sociedades médicas profissionais”.

A investigação obedece operações antitruste realizadas por reguladores em setembro do ano passado. Se uma empresa for considerada culpada de violar as regras de concorrência e não tomar medidas voluntárias para resolver a questão, o bloco europeu pode, em última instância, impor multas de até 10% das vendas globais.

Teresa Ribera, chefe de concorrência da UE, afirmou que “avaliações científicas imparciais e confiança em autoridades científicas independentes são fundamentais para as políticas de saúde pública”.

A política espanhola argumentou que a investigação mostra “a determinação da Comissão em combater práticas de depreciação que podem prejudicar indevidamente a concorrência e as escolhas informadas dos consumidores”.

A Sanofi é uma das três grandes fabricantes de vacinas sazonais contra a gripe, ao lado da britânica GSK e da australiana CSL Seqirus. AstraZeneca e Viatris também fabricam vacinas contra a gripe.

Após o anúncio da investigação, a farmacêutica francesa declarou que está cooperando com as autoridades. “A Sanofi está confiante de que agiu, e continua agindo, em total conformidade com todas as leis e regulamentos aplicáveis, incluindo a legislação de concorrência. A empresa leva essas questões a sério e está cooperando plenamente com a Comissão Europeia durante todo o processo”, comunicou.

“A Sanofi permanece comprometida em apoiar a concorrência justa e garantir o acesso contínuo a vacinas inovadoras para os pacientes”, informou a empresa.

A investigação marca o primeiro grande desafio para Belén Garijo, que assumiu como CEO da Sanofi no mês passado. Garijo foi trazida para substituir Paul Hudson, depois que o grupo enfrentou dificuldades para desenvolver novos tratamentos durante sua gestão.

A Sanofi sofreu reveses em ensaios clínicos nos últimos anos, com tratamentos para esclerose múltipla e eczema decepcionando quem apostou na empresa. Os investidores estão preocupados que a farmacêutica ainda não tenha desenvolvido um substituto para o Dupixent, seu tratamento de grande sucesso para asma.

A empresa obteve mais de um terço de suas receitas de 2025 com as vendas do Dupixent, mas o medicamento perde a exclusividade de patente no início dos anos 2030.

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