O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), diz estar construindo o que chama de SUS (Sistema Único de Saúde) pós-pandêmico. A configuração, segundo ele, passa por alguns pilares, sendo o primeiro deles a necessidade de um redesenho institucional do serviço gratuito e universal de saúde pública, que completa 35 anos nesta sexta-feira (19).
Para isso, o ministro aposta no Agora Tem Especialistas como central por ser uma tentativa de reduzir o tempo de espera para consultas especializadas. O programa deve ser vitrine eleitoral para a campanha do governo Lula em 2026, alvo de cobranças de resultados por parte do presidente. A pasta diz que a previsão é trocar por ano R$ 1,3 bilhão em dívidas das operadoras de planos de saúde por atendimentos.
“O Agora Tem Especialistas é a maior mobilização da saúde pública e privada que vai redesenhar a atenção especializada no nosso país”, disse à Folha nesta segunda-feira (15).
Já tendo considerado a parceria privada um debate encerrado, afirma que “se pegasse esse volume de recursos, colocasse no orçamento, e tentasse fazer o atendimento através das estruturas estatais, não conseguiria o resultado na velocidade que a população precisa.”
Em segundo momento, o ministro também acredita que o investimento na atenção primária e a preparação para futuras pandemias e para os impactos das mudanças climáticas na saúde devem compor o cenário de mudanças. Todos esses pilares, diz ele, são importantes para o redesenho do SUS.
O futuro do sistema é uma preocupação para especialistas em saúde, considerando os cenários de envelhecimento na população brasileira em paralelo a um aumento nos casos de doenças crônicas, como o câncer e a obesidade. Para isso, a maior arma é o planejamento público, que tem como empecilho as emendas parlamentares.
Segundo a Folha mostrou em agosto, uma fatia bilionária do orçamento do Ministério da Saúde do governo Lula (PT) tem servido a parlamentares como emenda extraoficial que foge dos critérios de transparência e controle impostos por decisões do STF (Supremo Tribunal Federal).
Ainda, no caso da Saúde, deputados e senadores direcionaram 44% dos recursos discricionários, somando R$ 25 bilhões. A pasta costuma receber as maiores fatias de emendas, pois os parlamentares são obrigados a aplicar parte das indicações na área.
“Vejo isso com um dado da realidade”, diz o ministro ao ser questionado sobre o assunto. O papel dele, isso considerado, é o de fazer com que o recurso dê conta de ser usado “para as prioridades apontadas para esse desafio de reconstrução do SUS “, afirma.
Cuide-se
Ciência, hábitos e prevenção numa newsletter para a sua saúde e bem-estar
Segundo Padilha, tem ocorrido um diálogo constante com os parlamentares para mostrar quais são as pautas prioritárias do ministério e do Plano Nacional de Saúde. “Nós temos projetos muito importantes e estou vendo eles avançando. A própria medida provisória do Agora Tem Especialistas”, diz.
A MP (Medida Provisória) que criou o programa permite que o ministério aja diretamente em estados e municípios para reduzir a fila do SUS. O texto rompe com a lógica vigente desde a criação do SUS, na qual o Ministério da Saúde atuava principalmente transferindo recursos para secretarias locais de saúde executarem os serviços.
Associado a isso, o ministro também prometeu um painel de consultas de filas, para que os pacientes sejam atualizados sobre o tempo de espera, o que ajudaria a reduzir um problema antigo de transparência quanto às filas.
“Nós vamos fazer esse processo de integração a partir da medida provisória. Hoje, dos 27 estados, 25 já informam a sua situação.” Dessa forma, será possível pensar o repasse de recursos para cada região, defende.
Ao defender o programa, que teve origem ainda na gestão de Nísia Trindade, Padilha compara a saúde a obras quando se trata da medida, que já foi apontada como uma forma de driblar o limite de gastos do governo.
“Nasci para ver pessoas criticando parcerias público-privadas. Nunca vi pessoas que fazem essa crítica criticar quando um governo faz uma parceria para construir uma obra que não vai estar no orçamento. Para isso pode, e para cuidar das pessoas não pode?”, questiona.
Prometendo ficar no Ministério até o final do governo Lula, diz ainda que, agora, “está dedicado a reduzir o tempo de espera da população, a derrotar os negacionistas contra a vacina, fazer um grande trabalho no Ministério da Saúde. É nisso que eu tô dedicado, é nisso que eu tô pensando nesse momento.”
O projeto Saúde Pública tem apoio da Umane, associação civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas à promoção da saúd.
Fonte: Link da fonte










