Paleontólogos anunciaram nesta terça-feira (16) a descoberta de milhares de pegadas dinossauros em uma face rochosa quase vertical no Parque Nacional de Stelvio, na Itália. A descoberta, segundo eles, está entre os sítios mais ricos do mundo para o período Triássico.
As marcas, algumas com até 40 centímetros de largura, estendem-se por cerca de cinco quilômetros em uma área conhecida como Valle di Fraele, a mais de 2.000 metros acima do nível do mar. Esse ponto fica perto da comuna de Bormio, um dos locais das Olimpíadas de Inverno de 2026, na região norte da Lombardia.
“Esse é um dos maiores e mais antigos sítios de pegadas na Itália e está entre os mais espetaculares que já vi em 35 anos”, disse o paleontólogo Cristiano Dal Sasso, do Museu de História Natural de Milão, em uma entrevista coletiva nesta terça-feira (16).
Especialistas disseram acreditar que as pegadas foram deixadas por manadas de herbívoros de pescoço longo, provavelmente plateossauros, há mais de 200 milhões de anos, quando a área era uma lagoa quente, ideal para os animais vagarem ao longo das praias, produzindo rastros na lama perto da água.
“As pegadas foram impressas quando os sedimentos ainda estavam moles, nas amplas planícies de maré que cercavam o oceano Tétis”, afirmou Fabio Massimo Petti, icnólogo do museu Muse de Trento.
“As lamas, agora transformadas em rocha, permitiram a preservação de notáveis detalhes anatômicos dos pés, como impressões dos dedos e até mesmo das garras”, acrescentou Petti.
Conforme a placa africana se movia gradualmente para o norte, fechando e secando o Oceano Tétis, as rochas sedimentares que formavam o fundo do mar foram dobradas, criando os Alpes.
As pegadas fossilizadas de dinossauros mudaram de uma posição horizontal para a vertical em uma encosta montanhosa. Elas foram avistadas por um fotógrafo de vida selvagem em setembro enquanto perseguia cervos e abutres-barbudos, segundo os especialistas.
“As ciências naturais entregam aos Jogos de Milão-Cortina 2026 um presente inesperado e precioso de eras remotas”, disse Giovanni Malagò, Presidente do Comitê Organizador de Milão-Cortina 2026, aos jornalistas.
A área não pode ser alcançada por trilhas, então drones e tecnologias de sensoriamento remoto terão que ser usados para estudá-la.
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