A pensão alimentícia se tornou a principal dor jurídica do brasileiro em 2026. Levantamento da ViaJusta, plataforma do Projuris que conecta cidadãos a advogados, mostra que atrasos ou conflitos envolvendo o pagamento de pensão responderam por 12,58% das 22.776 demandas registradas entre janeiro e abril.
Na sequência aparecem cobranças desconhecidas ou indevidas, com 9,80%, e disputas trabalhistas envolvendo verbas rescisórias, com 7,97%. Conflitos sobre separação, guarda e visitas representam outros 4,82% dos registros, enquanto os divórcios somam 3,39%.
O retrato mostra que os problemas jurídicos estão concentrados nas relações mais próximas do cotidiano. Direito de Família lidera o levantamento, com 27,9% das demandas, seguido por Direito do Consumidor, com 26,4%. Juntas, as duas áreas representam 54,3% dos casos. Questões trabalhistas aparecem em terceiro lugar, com 15,8%.
Produtos e serviços com defeito, fraudes, golpes e disputas contra instituições financeiras também estão entre as dez principais causas de procura por orientação jurídica. Para Fernando Ribeiro, diretor de Produto do Projuris, o volume indica que os brasileiros estão buscando entender seus direitos e avaliar possíveis soluções antes de recorrer ao Judiciário.
Os dados também revelam espaço para alternativas extrajudiciais. Nas demandas de consumo, reclamações ao Procon aparecem em 10,90% das recomendações. Nos casos trabalhistas, denúncias ao Ministério do Trabalho representam 12,42%. Acordos extrajudiciais, sindicatos, Ministério Público e plataformas de reclamação também surgem como caminhos recorrentes.
A ViaJusta aposta justamente nesse movimento. Os casos recebidos passam por uma triagem que avalia a viabilidade da demanda, indica se o melhor caminho é judicial ou extrajudicial e direciona o usuário a um advogado. O levantamento sugere uma relação mais pragmática com o Direito, na qual custo, tempo e chance de resolução começam a pesar antes da abertura de um processo.
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