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A percepção negativa da economia cresce no Brasil, com 66% dos entrevistados sentindo o aumento do custo de vida. Isso desafia o governo Lula, cuja popularidade é ameaçada e que perderia para Flávio Bolsonaro em um 2º turno simulado. Especialistas criticam a abordagem econômica e alertam que o impacto no bolso do eleitor é decisivo, superando dados oficiais.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
A percepção negativa da economia voltou a ganhar força nas pesquisas e acendeu um sinal de alerta no governo. Levantamento Meio/Ideia mostra que 66% dos entrevistados acreditam que o custo de vida aumentou em relação ao ano passado, enquanto a avaliação da economia como “péssima” subiu de 30% para 34,7% em apenas um mês. O cenário aparece também no recorte eleitoral: embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidere no primeiro turno, perderia para Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, por 46,3% a 44,7%.
Desafio ao governo Lula
Para o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, os números revelam um desafio importante para o governo até as eleições. Segundo ele, o eleitor sente a economia de forma prática, no supermercado e no posto de combustível. “O cidadão observa que os preços dos alimentos estão subindo, que os combustíveis estão subindo, independentemente de quem seja a culpa”, afirma. Na leitura dele, quando sobra menos dinheiro no fim do mês, cresce automaticamente a sensação de que o governo “não está fazendo o dever de casa”.
Acabar com endividamento dá voto?
Agostini também vê com cautela as apostas do governo em programas voltados ao combate do endividamento das famílias, como forma de recuperar popularidade. Para o economista, iniciativas desse tipo podem aliviar momentaneamente a situação financeira da população, mas não resolvem o problema estrutural. “Em dois ou três meses, o cidadão pode voltar a ter uma situação negativa de novo”, avalia. O diagnóstico dele é que a percepção econômica demora mais para mudar do que indicadores técnicos divulgados pelo governo.
Economia é decisiva nas urnas
O professor de finanças do Insper Ricardo Rocha reforça que a economia costuma ser decisiva nas urnas e cita o exemplo histórico do Plano Real, que impulsionou a eleição de Fernando Henrique Cardoso ainda no primeiro turno em 1994. Segundo Rocha, as pesquisas recentes mostram crescimento da rejeição ao presidente Lula e avanço de candidaturas alternativas. Para ele, o descontentamento está ligado à falta de uma percepção clara de crescimento econômico sustentado.
Modelo ruim
Rocha critica o modelo adotado pelo governo e afirma que houve prioridade para medidas consideradas “populistas”, com ampliação de benefícios sociais e aumento da arrecadação, mas sem um direcionamento econômico mais robusto. Na visão do professor, isso mantém a sensação de insegurança fiscal e ajuda a pressionar os juros. “A população começa a perceber que o governo gosta de gastar”, afirma, associando esse comportamento ao receio de inflação mais alta no futuro.
Termômetro da política
O debate econômico acabou se transformando em um termômetro político antecipado para 2026. Enquanto o governo tenta mostrar melhora em emprego e renda, especialistas observam que a percepção do eleitor ainda continua muito ligada ao custo de vida. E, nesse campo, inflação de alimentos, combustível caro e endividamento seguem falando mais alto do que os números oficiais apresentados pela equipe econômica.
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