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Pompeia: Cientistas descobrem segredos do concreto romano – 10/12/2025 – Ciência

Escavando as ruínas da antiga cidade de Pompeia, cientistas se depararam com um canteiro de obras congelado no tempo pela erupção do Monte Vesúvio. Ali, eles identificaram segredos por trás do concreto usado pelos romanos para revolucionar a arquitetura. Os achados foram descritos em um artigo publicado nesta terça-feira (9) na revista Nature Communications.

O sítio estudado é um projeto de construção que estava em andamento quando a erupção, em 79 d.C., sepultou Pompeia sob cinzas vulcânicas e rochas. Foram identificadas salas com paredes inacabadas, pilhas de material seco pré-misturado e ferramentas.

“Estudar esse local me fez sentir como se eu tivesse viajado no tempo e estivesse ao lado dos trabalhadores enquanto eles misturavam e usavam o concreto”, disse Admir Masic, professor de engenharia civil e ambiental do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) e autor principal do novo estudo.

Material de construção indispensável, o concreto ajudou os romanos a erguer estruturas como o Coliseu e o Panteão, além de aquedutos e pontes diferentes de quaisquer outras feitas até então. Como podia endurecer debaixo d’água, também foi vital para a construção de portos e quebra-mares.

O método adotado para a produção do concreto tem sido objeto de debate, com descobertas recentes aparentemente contradizendo relatos de um tratado do século 1º a.C. atribuídos ao arquiteto e engenheiro romano Vitrúvio.

A descoberta em Pompeia indica que os romanos recorriam a uma técnica chamada mistura quente. Nela, cal viva —calcário seco previamente aquecido— seria combinada diretamente com água e uma mistura de rocha vulcânica e cinzas, gerando uma reação química que aqueceria naturalmente a mistura. Isso difere do método descrito por Vitrúvio.

“Pompeia preserva edifícios, materiais e até mesmo trabalhos em andamento exatamente no estado em que estavam quando a erupção ocorreu. Diferentemente de estruturas finalizadas que passaram por séculos de reparos ou desgaste, esse sítio estudado registra os processos de construção como eles aconteceram”, afirmou Masic.

“Para estudar tecnologias antigas, simplesmente não há paralelo”, continou Masic. “Sua preservação excepcional oferece um verdadeiro ‘instantâneo’ da prática de construção romana em ação.”

O edifício em construção combinava cômodos domésticos com uma padaria em funcionamento, com fornos, bacias para lavagem de grãos e armazenamento. As evidências ali indicavam que a técnica descrita por Vitrúvio não era aplicada na construção de paredes.

Esse método pode ter se tornado obsoleto na época do projeto analisado na nova pesquisa.

“Imagine o que cem anos de diferença poderiam significar para a tecnologia de construção. Uma boa analogia pode ser feita com os telefones. Nos anos 1920-30, discagem, linhas de cobre de longa distância. Nos anos 2020, smartphones usando sinais digitais e redes sem fio”, exemplificou o professor.

A técnica de mistura a quente contribuiu para o concreto ter propriedades de autorreparo. O material contém resíduos brancos da cal usada para fabricá-lo, que podem se dissolver e recristalizar, “curando” rachaduras resultantes de infiltração de água.

Os romanos industrializaram o processo de produção do concreto. “Isso permitiu aos construtores erguer estruturas monolíticas grandes, abóbadas e cúpulas complexas, e portos com concreto que endurecia debaixo d’água. O concreto expandiu fundamentalmente o que poderia ser construído e como cidades e infraestruturas eram concebidas”, disse Masic.

Os novos achados sobre o concreto romano podem ser valiosos sobretudo para arquitetos.

“Os concretos modernos geralmente não possuem capacidade de autorreparo, o que é cada vez mais importante conforme buscamos infraestruturas mais duradouras e com menor manutenção”, afirmou Masic. “Então, embora o processo antigo em si não seja um substituto direto para os padrões modernos, os princípios revelados podem informar o design de concretos de próxima geração duráveis e com baixo teor de carbono.”

Fonte: Link da fonte

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