A liquidação de diversas instituições financeiras em meio ao escândalo do Banco Master é relevante não apenas para o sistema financeiro, mas também para o mercado imobiliário. O encerramento dos negócios sugere uma grande debandada de espaços de escritórios — localizados em sua maioria nas proximidades do centro financeiro de São Paulo, a Avenida Faria Lima. Reag, Will Bank e BlueBank, todos liquidados pelo Banco Central, somam quase 10 mil metros quadrados em espaços corporativos alugados, segundo fontes do mercado imobiliário consultadas por VEJA.
O preço médio dos aluguéis de escritórios de alto padrão é superior a 200 reais por metro quadrado na região que inclui Faria Lima, Itaim Bibi, Vila Olímpia e suas proximidades, segundo dados da Binswanger Brazil. A estimativa indica que o aluguel combinado das três instituições liquidadas é superior a 2 milhões de reais por mês, ou mais de 24 milhões de reais por ano. No caso da Faria Lima e do Itaim, o preço médio está em 302 reais e 275 reais por metro quadrado, respectivamente, de acordo com a consultoria imobiliária Newmark.
Um levantamento da Newmark voltado especificamente aos imóveis do Banco Master mostra que o negócio de Daniel Vorcaro ocupou 18,5 mil metros quadrados em escritórios de alto padrão na Vila Olímpia, sem contar os demais braços do grupo. O principal estava no Auri Plaza, onde o Master dispunha de 13,9 mil metros quadrados por 3,9 milhões de reais por mês. O contrato de aluguel foi encerrado em meados de abril e sem renovação.
A consultoria também aponta que o Master dispunha de espaços no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraná, com 283, 383 e 379 metros quadrados, respectivamente, elevando o total para cerca de 19,5 mil metros quadrados. Somados, o Master e as três financeiras envolvidas no escândalo ocuparam quase 30 mil metros quadrados em espaços de escritórios de alto padrão.
Sem considerar a saída do Master do Auri Plaza, a Vila Olímpia tem 50 mil metros quadrados vagos, o que representa uma taxa de vacância de pouco mais de 15% — queda de 1,1 ponto percentual em relação ao último trimestre de 2025. O percentual subiria para 20% com o espaço que pertencia ao banco de Vorcaro.
Segundo Mariana Hanania, head de pesquisa de mercado da Newmark, o mercado está aquecido e não terá dificuldade para absorver a entrada de novos espaços na região. “A disponibilização de um ativo com esse porte (Auri Plaza) tende a encontrar um mercado mais preparado para absorção do que em ciclos anteriores”, diz.
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