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Répteis podem ficar de bom humor? Aparentemente sim – 02/10/2025 – Ciência

Se você se deparar com um jabuti tomando sol, talvez possa concluir que ele esteja de bom humor.

Isso porque pesquisadores identificaram o que descrevem como estados de humor —experiências emocionais que são mais do que momentâneas— em jabutis-piranga (Chelonoidis carbonaria).

Os resultados do estudo, publicado em junho deste ano na revista Animal Cognition, têm potencial para se aplicar a outros répteis e resultam em implicações profundas na forma como as pessoas os tratam.

“Havia uma aceitação de que os répteis poderiam ter emoções de curto prazo”, afirmou Oliver Burman, que estuda comportamento animal na Universidade de Lincoln, na Inglaterra, e é um dos autores do artigo. “Eles poderiam responder a coisas positivas e desagradáveis, mas os estados de humor de longo prazo são realmente importantes.”

Quanto ao motivo pelo qual demorou tanto para mostrar isso em répteis, Burman avaliou que “talvez nós simplesmente não tenhamos perguntado a eles corretamente.”

Os répteis têm uma longa reputação de serem pouco inteligentes. Em 1973, por exemplo, alguns cientistas referiam-se a eles como “máquinas de reflexo” e, em um artigo intitulado “As vantagens evolutivas de ser estúpido”, como donos de “um cérebro muito pequeno que não funciona vigorosamente”.

Burman está entre os cientistas responsáveis pelo que alguns chamam de renascimento reptiliano. Uma série de descobertas —jabutis aprendendo uns com os outros, serpentes com redes sociais, crocodilos exibindo comunicação complexa— indicam que os répteis não são menos inteligentes que mamíferos e aves.

Mas eles têm humores?

Burman e seus colegas abordaram essa questão usando o que é conhecido como teste de viés cognitivo. Ele se baseia em um princípio comum a muitas mentes animais, humanas e não humanas: indivíduos de bom humor são mais otimistas sobre resultados incertos, já aqueles de mau humor tendem a ser pessimistas.

Os pesquisadores colocaram cada um dos 15 jabutis dentro de um recinto com duas tigelas vazias no chão. Quando se aproximava de uma das tigelas, o jabuti ganhava uma porção de rúcula, tão apreciada por esses animais. Quando chegava perto da outra tigela, não recebia nada.

Depois que os jabutis aprenderam a associar cada local a uma recompensa ou à falta dela, os pesquisadores posicionaram três tigelas adicionais em pontos intermediários entre as tigelas originais. A velocidade, relativamente falando, com que um jabuti investigava essas novas tigelas serviu como um indicador de seu estado emocional.

Então, durante um período de duas semanas, os pesquisadores apresentaram a cada jabuti um objeto desconhecido —um porta-copos— e puseram o animal em um recinto com parede e piso cobertos com padrões aos quais ele não estava habituado. Sabe-se que tais novidades deixam jabutis ansiosos, mas os que foram mais otimistas no teste anterior mostraram menos ansiedade neste —um jabuti estende sua cabeça quando está relaxado; quanto maior a extensão, menos ansioso provavelmente está. Eles pareciam estar protegidos por seu bom humor.

“Esses resultados ampliam significativamente o conhecimento contemporâneo sobre a capacidade dos répteis de experimentar estados de humor”, escreveram Burman e seus colegas no artigo. Eles observaram que os resultados ecoavam os de um estudo de 2010 com design semelhante sobre cães que experimentam ansiedade de separação.

Até que ponto as novas descobertas podem ser extrapoladas para outros répteis? “Não podemos afirmar com certeza, mas evidências de uma capacidade dentro do grupo nos dizem que ela pode existir”, disse Anna Wilkinson, especialista em cognição de répteis da Universidade de Lincoln e uma das autoras do estudo. “Precisamos testar outros grupos de répteis.”

O bem-estar de répteis em cativeiro é notoriamente precário. Muitos são mantidos em condições inadequadas, como confinamento restrito e sem enriquecimento ambiental. Frequentemente, são anunciados enganosamente como animais de estimação fáceis de cuidar para pessoas que não compreendem suas necessidades físicas e psicológicas e que podem não ter capacidade para interpretar seus comportamentos.

“A tendência de normalizar o bem-estar precário, especialmente entre proprietários casuais de répteis, parece ser generalizada”, disseram, por email, os veterinários Manuel Magalhães-Sant’Ana e Alexandre Azevedo, da Universidade de Lisboa (Portugal). Eles descreveram as novas descobertas como um argumento para levar a sério o bem-estar dos répteis.

“Somos relativamente bons em ler mamíferos”, afirmou Wilkinson. “Observamos as partes do corpo que compreendemos. [Mas com répteis] não podemos lê-los da mesma forma.” Enquanto cães em sofrimento podem destruir um sofá, muitos répteis simplesmente se desligam e param de se mover. Porém, como as pessoas não entendem o que está acontecendo, acham que isso é normal.

Cobras, em particular, são frequentemente mantidas em recintos muito pequenos com pouco enriquecimento. Em pesquisas futuras, a pesquisadora disse que gostaria de “observar o que acontece se você der um playground para uma cobra”.

Fonte: Link da fonte

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